Clique e Assine a partir de R$ 6,90/mês

Há 102 anos, metereologista registrava “neve” no centro de São Paulo

José Nunes Belford Mattos, um dos primeiros metereologistas do Brasil, anotou o fenômeno em sua caderneta; especialistas explicam o que aconteceu

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 19 ago 2020, 10h20 - Publicado em 19 ago 2020, 10h17

Nesta semana, a possibilidade de nevar no sul do estado de São Paulo deixou as pessoas atônitas. A simulação do MetSul apontava a intempérie em locais “pouco acostumados a ver neve ou que não testemunhavam o fenômeno por décadas”. A ocorrência de neve no estado já foi descartada por especialistas, mas será que os paulistas já viram as ruas cobertas pela camada branca?

José Nunes Belford Mattos, pioneiro na metereologia do Brasil, registrou neve em sua caderneta no dia 25 de junho de 1918. De acordo com as anotações, a cidade de São Paulo foi coberta por uma forte neblina quando “nevou”. Em seguida, o tempo abriu. A estação meteorológica ficava na Avenida Paulista.  

De acordo com o Climatempo, ao que tudo indica aconteceu uma sublimação do nevoeiro, ou seja, a água passou do estado gasoso para o sólido, formando cristais de gelo como uma “poeira de neve”. Algo semelhante acontece nas geladeiras mais antigas.

Na ocasião, os termômetros marcavam 3 graus negativos a 2 metros do solo e no chão a temperatura era bem menor. Como estava muito frio, o gelo não derreteu ao tocar o chão, o que fez a cidade parecer encoberta por neve. 

Tecnicamente, a neve é uma precipitação que se forma dentro de uma nuvem e cai. O que aconteceu em 1918, portanto, não pode ser qualificado como neve. Mas o argumento técnico não deixa menos bonito o fenômeno registrado por Belford Mattos.

  • Continua após a publicidade
    Publicidade