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Moradores se mobilizam e tiram rua dos Jardins da Lei de Zoneamento

Vizinhos da Rua Sampaio Vidal fazem prefeitura retirar via de projeto que prevê estabelecimentos comerciais em áreas residenciais 

Por Ana Luiza Cardoso Atualizado em 1 jun 2017, 16h50 - Publicado em 26 Maio 2015, 13h18

A nova Lei de Zoneamento, responsável por ordenar o uso e ocupação do solo de São Paulo, tem tirado o sono de moradores de algumas áreas da cidade. A lei, que deverá ser votada até o fim do ano, permitirá, entre outros pontos, que regiões estritamente residenciais recebam estabelecimentos comerciais. E é isso que tem criado tanta insatisfação.

Vizinhos da Rua Sampaio Vidal, nos Jardins, se mobilizaram e conseguiram fazer a administração municipal retirar do projeto a proposta de tornar a via uma área mista. A discussão, no entanto, ainda ocorre em outras áreas. Na Rua Estados Unidos, também nos Jardins, moradores colocaram placas na porta de casa em sinal de protesto contra a nova Lei de Zoneamento.

O projeto de lei será encaminhado ainda essa semana para a Câmara Municipal, onde será verificada sua legalidade. Depois seguirá para a comissão de política urbana que realizará assembleias nas subprefeituras da cidade. 

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A maior preocupação dos moradores é com a descaracterização do bairro, segundo o presidente da Associação Movimento Ame Jardins, Fernando José da Costa. Se aprovada, a nova lei mudará a condição de Zona Estritamente Residencial (ZER) para Zona Predominantemente Residencial (ZPR), o que libera estabelecimentos como supermercados e salões de festas sem limite de horário de funcionamento.

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A lei ainda permitirá a construção de prédios em áreas que hoje não são permitidas, como a Rua Estados Unidos. “Mudaria a rotina dos moradores”, diz Fernando. “É uma opção. Tem pessoas que optam por residir em bairros residenciais e outras em bairros mistos”. O miolo dos Jardins permanecerá como estritamente residencial, ao contrário das ruas Avenidas Brasil, Europa e Nove de Julho e Ruas Groenlândia e Estados Unidos, as mais afetadas com a mudança.

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Outra preocupação dos moradores é com as áreas verdes do bairro. Para Fernando, os novos comerciantes poderiam retirar as árvores para construir garagens ou exibir as fachadas das lojas e vitrines. “A arborização não deve ser uma preocupação só dos Jardins, mas de toda São Paulo”, diz.

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+ Cerca de 70% dos imóveis não residenciais paulistanos são ilegais

“Se eles mudarem a lei, colocarei a casa à venda”, disse o advogado Frederico Pessoa, de 34 anos. Ele saiu do Morumbi rumo aos Jardins em busca de sossego e um lugar tranquilo para criar o filho. Chegou a fazer um levantamento, no ano passado, de quantos imóveis comerciais ilegais funcionavam em áreas definidas como estritamente residenciais. Andou por dois dias no bairro, tirando fotos e acompanhando o movimento dos estabelecimentos comerciais. “Contei vinte imóveis ilegais e levei a denúncia para a subprefeitura. Eles ignoraram. Agora, sem nenhuma punição, os comerciantes continuarão no bairro com permissão da prefeitura”, disse revoltado. 

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