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Mãe perde guarda da filha de 12 anos após ritual de candomblé

Familiares que não concordam com a religião fizeram denúncia

Por Redação VEJA São Paulo - 7 ago 2020, 10h36

A mãe de uma garota de 12 anos perdeu a guarda da filha após a menina participar de um ritual de iniciação ao candomblé que envolve raspar a cabeça. O caso aconteceu em Araçatuba, no interior de São Paulo. As informações foram reveladas pelo UOL.

O Conselho Tutelar da cidade recebeu denúncias de maus tratos e abuso sexual. Uma das queixas foi feita pela avó da menina, que é evangélica. Por esse motivo, a defesa da família alega se tratar de um caso de intolerância religiosa.

De acordo com a reportagem, a menina relatou que não sofreu qualquer tipo de abuso, mas que estava participando de um ritual. A mãe e a filha foram levadas até a delegacia e só foram liberadas após a jovem passar por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). O exame não detectou qualquer tipo de hematoma ou lesão. Apenas a cabeça estava raspada o que, segundo ela, é um sinal de que está se tornando filha de Iemanjá.

Familiares que não concordam com a religião fizeram outra denúncia alegando que a menina estava sendo mantida à força no terreiro e sob condições abusivas. Policiais e conselheiros tutelares foram novamente até o local, mas a adolescente já estava em casa. Ainda assim, os familiares denunciaram o caso à Promotoria sob justificativa de que houve lesão corporal por causa dos cabelos raspados. A Justiça, então, transferiu a guarda para a avó materna. Há uma semana, mãe e filha só conversam por celular e se veem durante visitas curtas.

“Eu estou arrasada. Já estava antes por conta do preconceito. Agora que tiraram minha filha de mim, tiraram o meu chão. Nunca imaginei passar por isso por conta de religião. Eu estava presente o tempo inteiro, acompanhei tudo, nada de ilegal foi feito, que constrangesse a ela, ou que ela não quisesse, sem consentimento dela, ou sem o pai ou a mãe, foi tudo feito legalmente”, disse a mãe da adolescente ao UOL. 

O Conselho Tutelar da cidade não se manifestou nem os familiares que estão com a guarda da menina.

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