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Presidente da Assembleia proibirá homenagem a Pinochet na Casa

Pelo Twitter, Cauê Macris disse ter assinado ato que anula proposta de solenidade dedicada ao ditador chileno proposta pelo deputado Frederico d'Avila (PSL)

Por Ricardo Chapola Atualizado em 14 fev 2020, 15h50 - Publicado em 20 nov 2019, 23h28

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Cauê Macris (PSDB), afirmou nesta quarta-feira (20) que vai proibir a realização de uma homenagem ao ditador chileno Augusto Pinochet, prevista para ocorrer na Casa no dia 10 de dezembro. Pelo Twitter, Macris anunciou que vai assinar um ato para anular a proposta feita pelo deputado estadual Frederico d’Ávila (PSL).

O evento seria realizado no mesmo dia em que a morte do general Pinochet completaria 13 anos e também na data em que é celebrado o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A anulação da solenidade será publicada na edição desta sexta-feira (22) do Diário Oficial. D’Avila afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que pretendia homenagear o ditador por considerar que Pinochet “conduziu seu governo de forma brilhante, impedindo que o cenário ditatorial e violador de direitos humanos cubano e soviético da época se instalasse no seio da sociedade chilena”.

Explicou também que chegou a hora de acabar as exaltações terroristas como heróis. “O presidente, em dezessete anos de governo, transformou o Chile na economia mais pujante da América Latina”. Nas redes sociais, d’Avila postou um convite convidando seus seguidores a participar da sessão solene. Pouco tempo depois, o assunto era um dos mais falados na internet.

No site da Alesp, o evento foi anunciado de forma diferente. Na agenda publicada por lá, o sobrenome “Pinochet”, pelo qual o ditador era conhecido, foi omitido na descrição da sessão solene. Para informar sobre ela, o redator escreveu: “Ato solene em memória do Presidente Augusto P. Ugarte”. Questionada sobre a omissão do principal sobrenome do general chileno, a assessoria de imprensa da Assembleia informou que a redação da agenda cabe à equipe do deputado que propôs a homenagem. Afirmou também que a Mesa Diretora não tem qualquer influência nesse processo.

Pinochet governou o Chile por dezessete anos, em uma ditadura que resultou na morte de mais de 3 000 pessoas e cerca de 38 000 torturados. Em 1973, as Forças Armadas derrubaram o então presidente Salvador Allende, que acabou se suicidando depois desse episódio. Pinochet morreu em 2006, e chegou a ser preso em Londres em 1998, acusado por crimes contra a humanidade.

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