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Hackers sequestram redes sociais e cobram “resgate” de internautas

Ataques acontecem no YouTube e no Instagram principalmente de influenciadores digitais

Por Adriana Farias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 29 jun 2018, 08h46 - Publicado em 29 jun 2018, 06h00

No começo do mês, o advogado Fellipe Escudero teve sua conta no YouTube invadida por hackers. Ele é responsável pelo canal de moda urbana Hyped Content Brasil, com 66 000 inscritos e 6 milhões de visualizações. Para devolverem o acesso ao conteúdo e não apagarem de vez a página, os criminosos exigem 200 reais via PayPal, um serviço de transferência on-line. “É uma mixaria, mas se eu pagar vão vir querendo mais”, acredita Escudero.

A fim de solucionar a situação, o criador acionou a plataforma de vídeos, que pediu duas semanas para analisar o caso. “Estava ganhando cerca de 10 000 seguidores por dia. Agora, sem poder publicar nada, eles não passam de 100. Perdi várias propostas de trabalho”, queixa-se. A ativista da causa animal Luisa Mell também enfrentou sufoco parecido em novembro do ano passado. Um hacker, com identificação das Filipinas, conseguiu ter acesso à sua conta do Instagram.

@lojadassiboutique (1,3 milhão de seguidores): Bandido que atacou a conta da loja fez dezessete vítimas (Reprodução/Veja SP)

Enviou-lhe mensagens em inglês por WhatsApp e pediu o equivalente a 4 200 dólares em bitcoins pelo “resgate” do perfil, que conta com 1,6 milhão de seguidores. “Entrei em pânico, mas resolvi o problema em dois dias com a ajuda de um especialista em tecnologia. Ele descobriu que a invasão se deu pelo meu e- mail”, explica Luisa, que também registrou um boletim de ocorrência. “Hoje, uso uma senha tão complexa que levei meses para decorar.”

Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a cada dez casos apurados de delitos virtuais, ao menos seis envolvem de alguma forma a invasão de e-mails e contas de redes sociais, sobretudo aquelas que geram renda para seus donos. “O foco é em pessoas com grande relevância na internet que possuem algum tipo de fragilidade em suas páginas, desde senhas fáceis até a falta de atualização de sistemas operacionais”, explica o delegado José Mariano Filho.

Ele trabalha na 4ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Fraudes Patrimoniais Praticadas por Meios Eletrônicos, que registra até 120 casos de crimes virtuais por ano, mas atua mais fortemente naqueles que envolvem grupos organizados. Qualquer delegacia de bairro, entretanto, pode registrar e investigar violações digitais.

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Hyped Content Brasil (66 000 inscritos): criminosos exigem 200 reais para não derrubar o canal (Alexandre Battibugli/Veja SP)

A 3ª Delegacia Seccional Oeste, por exemplo, realizou uma importante prisão de um hacker em julho de 2017. Trata-se de Douglas Guerreiro de Souza. O rapaz fez dezessete vítimas em sete estados, cinco delas na capital. O bandido fraudou um email do escritório de advocacia Pinheiro Neto e passou a usar o recurso do Instagram de denunciar contas. Ele afirmava, falsamente, que os perfis vendiam marcas das quais não eram afiliados. “Com isso, enganou a própria plataforma e exigia das vítimas 5 000 reais para não derrubar os perfis”, lembra o delegado Danilo Alexiades.

Com medo de perder sua ferramenta de trabalho, Sirlene Costa, proprietária da loja de roupas Dassi, com 1,3 milhão de seguidores, cedeu ao bandido. “Paguei 2 600 reais, mas registrei uma denúncia de extorsão”, lembra. “Agora, conto com um advogado especialista na área e expandi minhas formas de comunicação com os clientes, para não depender só do Instagram.” Seu colega Leandro Coelho, da loja Coelho Multimarcas, se recusou a cair na chantagem e teve o canal derrubado. Calcula ter perdido 70 000 reais em vendas nas semanas em que ficou fora do ar. Ao identificar a fraude com a ajuda da polícia, o Instagram restabeleceu as contas de todas as vítimas.

@luisamell (1,7 milhão de seguidores): o pedido de 4 200 dólares veio de hacker das Filipinas (Marcos Rosa/Veja SP)

Algumas estratégias podem evitar que se caia nesse tipo de cilada. “A principal é ativar a verificação de duas etapas, ou seja, quando o usuário entra em sua página, a plataforma manda um SMS com uma segunda senha, para garantir que é ele”, diz Rodrigo Nejm, diretor da Safernet Brasil. A instituição oferece ajuda gratuita em quadros como esses pelo site new.safernet.org.br/helpline. “Tenha uma senha forte, mude-a de tempos em tempos e evite utilizar wifi público, pois seus dados podem ser roubados”, alerta o advogado Renato Opice Blum, cujo escritório atende a até três casos de invasão de contas por semana, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.

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Procurados, Instagram e YouTube informam que possuem em suas centrais de ajuda o campo “contas invadidas por hackers”, com um passo a passo de como proceder nessas situações.


O QUE FAZER PARA SE PROTEGER

Verificação de duas etapas
Funciona como uma segunda senha. Quando essa ferramenta está ativada, além do usuário e da senha, é necessário confirmar a identidade com um código recebido por SMS.

Senhas diferentes
Tenha uma senha forte, mude-a de tempos em tempos e não use a mesma em todas as redes sociais e plataformas nas quais estiver inscrito.

E-mail de recuperação
Mantenha atualizados seu e-mail e seu telefone de recuperação de senha. Eles são os únicos contatos que as empresas têm para acioná-lo em caso de perda ou alteração.

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