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Arthur do Val vai à Justiça recorrer de cassação em duas frentes

O ex-deputado, que não tinha uma boa relação com seus amigos da Assembleia Legislativa, foi deposto após falas machistas e sexistas

Por Sérgio Quintella Atualizado em 20 Maio 2022, 01h36 - Publicado em 20 Maio 2022, 06h00

Dos três anos e um mês que passou como titular de uma cadeira na Assembleia Legislativa, Arthur do Val (União Brasil), mais conhecido como Mamãe Falei, usou parte do período como parlamentar para criticar opositores, brigar com adversários contrários às suas ideologias e posições políticas, além de não manter relações mínimas de convívio com quase todos os seus pares.

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O resultado desse autoisolamento teve um desfecho na última terça-feira, quando seu mandato foi oficialmente cassado por todos os 73 deputados presentes (de um total de 94) na sessão da Alesp. O número foi maior do que os 48 votos favoráveis necessários para a expulsão do membro do Movimento Brasil Livre (MBL) da Casa.

O motivo foram as falas de cunho sexistas e misóginas proferidas pelo youtuber durante uma viagem à Ucrânia, em março. Na ocasião, ele falou, entre outros impropérios, que “as ucranianas são fáceis porque são pobres”. Também disse que “a fila das melhores baladas do Brasil não chega aos pés das filas de refugiadas”.

Na prática, a decisão dos quase sempre corporativistas deputados paulistas (ele foi o primeiro deputado cassado em 23 anos — o anterior havia sido Hanna Garib, que perdeu sua posição acusado de fazer parte da chamada máfia dos fiscais quando era vereador na capital) não terá efeitos imediatos, pois Arthur já havia renunciado ao mandato no dia 20 de abril.

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A medida, porém, torna o agora ex-deputado inelegível por oito anos, segundo a Lei da Ficha Limpa. Em nota, sua assessoria afirmou que “a desproporção da sua punição fica evidente já que a mesma Casa foi branda em relação a casos muito mais graves, como o do parlamentar Fernando Cury, que apalpou os seios de uma deputada e foi suspenso por apenas seis meses”.

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A tese de que seu caso foi “menos grave” do que o de Cury foi uma das tentativas de minimizar sua situação. À Vejinha, logo depois que o áudio veio à tona, Arthur comparou seu momento a falas passadas do ex-presidente Lula e do atual, Jair Bolsonaro.

“Se você rouba milhões, está tudo bem. Se organiza corrupção, tudo bem. Se é um ex-presidente de sindicato que diz querer conquistar as viúvas dos companheiros, como o Lula falou, tudo bem. E quando ele falou das mulheres de ‘grelo duro’ ou que Pelotas é exportadora de ‘veado’?”, disse, citando declarações passadas do petista. “E o Bolsonaro falando que fazer turismo sexual tudo bem, desde que não seja com ‘veado’, pode? E quando disse que pode usar dinheiro público para ‘comer gente’?”

Agora, o ex-deputado, que pretendia concorrer ao cargo de deputado federal, deve recorrer à Justiça em duas frentes. A primeira, no âmbito estadual, vai pedir a nulidade do processo do Conselho de Ética, sob a alegação de que não teve todas as condições para se defender. A segunda, na esfera eleitoral, visa a reaver os direitos políticos, pois Arthur alega que já havia renunciado quando teve o mandato cassado, a despeito de a legislação não prever esse tipo de argumento.

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Publicado em VEJA São Paulo de 25 de maio de 2022, edição nº 2790

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