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Cidade Matarazzo, complexo com hotel e shopping, terá centro cultural

Casa Bradesco da Criatividade, uma parceria do novo empreendimento com o banco, define a estreia da programação cultural com mostra de Anish Kapoor

Por Saulo Yassuda - Atualizado em 13 fev 2020, 13h27 - Publicado em 12 fev 2020, 19h45

O empresário francês Alexandre Allard anunciou, nesta quarta (12), a primeira parceria para o Cidade Matarazzo, monumental complexo montado por ele na área que abrigou o antigo Hospital Matarazzo. Por lá, funcionarão shopping, hotel de luxo da bandeira Rosewood com projeto de Jean Nouvel e interiores desenhados por Philippe Starck, e setor dedicado ao entretenimento, segmento que ganhou o patrocínio do Banco Bradesco e terá um centro cultural, a Casa Bradesco da Criatividade.

“O espaço vai ter gastronomia, dança, moda, design e artes plásticas em 5.000 metros quadrados”, afirma Allard. Mas ainda demora a ficar pronto. Depois do hotel, que deve ser aberto até o fim deste ano, o setor dedicado a artes e espetáculos tem previsão de estar concluído em setembro de 2021. A boa notícia para os paulistanos é a confirmação da primeira mostra que estreia a programação. Tem como convidado o artista plástico Anish Kapoor. ”Nossa previsão é que o público ultrapasse a marca de 1 milhão de pessoas por ano”, estima o empreendedor.

Britânico nascido na Índia, Kapoor é conhecido pelos trabalhos grandiosos, entre eles a escultura Cloud Gate, fincada no Millennium Park, em Chicago. Depois de um ano de negociação, está em processo de construção de uma grande obra para ocupar uma sala de 2.000 metros quadrados, o maior espaço expositivo da capital, segundo o diretor da programação, Marcello Dantas.

Ex-curador da Japan House, Dantas é o responsável pela escolha dos nomes que vão expor por lá. De acordo com ele, a ideia não é apenar trazer as obras, mas fazer com que os artistas criem algo original. A mostra de Kapoor, explica, será “uma grande vivência composta de vários elementos”.

O curador Marcello Dantas: responsável pelas exposições do novo centro cultural Germano Lüders/Veja SP

A enorme área permite a exibição de trabalhos de grande porte. “É como se [a mostra do Kapoor] fosse uma grande obra. Eu não quero tratar os espaços aqui como pequenos compartimentos — isso qualquer espaço cultural consegue fazer.”

A fachada desse setor do antigo hospital, propositalmente, guarda as marcas do tempo, e janelas darão vista à grande mancha verde com exemplares da Mata Atlântica que se espalha pelo Cidade Matarazzo. Esse diálogo do prédio com o entorno tem como inspiração alguns museus, como o Punta della Dogana, em Veneza. “Não é um cubo branco”, resume Dantas.

As crianças terão um espaço próprio: programação especial Divulgação/Divulgação

A Casa da Criatividade tem projeto do arquiteto francês Rudy Ricciotti, que entre outros trabalhos concebeu o Departamento de Arte Islâmica no Museu do Louvre, em Paris. Para o complexo, compôs diferentes pavimentos.

No subsolo, a Sala 22, em homenagem à Semana de Arte Moderna de 1922, será multifuncional, com a possibilidade de assumir diferentes formatos durante o dia. A pretensão é que funcione 22 horas diárias com shows, espetáculos teatrais e de dança e aulas de culinária.

Trata-se um grande auditório capaz de receber de recitais de música clássica a shows para até 1.500 pessoas. Os preços dos ingressos serão bem variados — quem tem maior renda deverá pagar preços maiores.

Outras seções do centro cultural são o Espaço da Criatividade, dedicado a receber palestras, debates e oficinas, e o Creative Kids Lab, com atividades para crianças.

Sala 22: shows, peças, espetáculos de dança e aulas de culinária Divulgação/Divulgação

O flerte do Cidade Matarazzo com a cultura começou em 2014, quando Allard levou ao complexo a exposição Invasão Criativa. Com o apoio do Bradesco, formalizado no fim de 2019, a construção do centro cultural pôde ser firmada. “A gente vai exercitar a diversidade e a inclusão com esse espaço”, diz Glaucimar Peticov, diretora executiva da instituição financeira.

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Para Dantas, o centro cultural, embora ligado ao banco, tem “carta branca” para criar. Isso não impede que o banco faça indicações pontuais na programação. “Nunca tivemos no Brasil uma visão para patrocínio cultural a tão a longo prazo e tão forte como essa, sem depender de lei de incentivo, o que garante a longevidade do projeto”, acredita o curador.

Allard pretende completar a obra do Cidade Matarazzo com um túnel a ser aberto na Rua São Carlos do Pinhal, um calçadão e uma feira de produtos orgânicos. Fvia que passaria a ter apenas trânsito local.

A última laje do hotel, a de número 25, acaba de ser concretada. Mas, até a abertura do Cidade Matarazzo, algumas questões ainda têm de ser solucionadas. Moradores de prédios vizinhos se opõem à proposta de um calçadão proposto por Allard e que pretende ocupar o trecho da Alameda Rio Claro entre a Avenida Paulista e a Rua Pamplona. Também há condôminos do entorno resistentes ao túnel que o empresário quer abrir sob a Rua São Carlos do Pinhal, criando uma nova rota pra o trânsito local.

Confira como será a divisão de espaços:

 

 

 

 

 

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