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Afranio Barreira, dono do Coco Bambu, defende Bolsonaro e cloroquina

"Fica muito fácil defender o lockdown. Afinal, ter um lar confortável e comida na geladeira dentro de casa, torna mais fácil", afirma o empresário

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 16 Maio 2020, 11h46 - Publicado em 15 Maio 2020, 23h49

Poucas horas depois do anúncio de que o ministro Nelson Teich havia deixado o governo na tarde dessa sexta (15), o empresário Afranio Barreira, fundador da rede de restaurantes Coco Bambu, disparou no WhatsApp uma longa mensagem em defesa do presidente Jair Messias Bolsonaro, do afrouxamento do isolamento social e, principalmente, da adoção da cloroquina no tratamento da Covid-19 como uma espécie de panaceia.

O medicamento foi um dos pontos de desacordo entre Teich e o presidente. Nesta semana, o então ministro havia postado em uma rede social que o uso do remédio no tratamento contra a Covid-19 deveria ser feito com restrições. O presidente, sem respaldo científico, é defensor ferrenho da adoção da substância.

Para o empresário, os “formadores de opinião” tratam o assunto como tabu, “justamente por ter sido o presidente Bolsonaro o primeiro a abordar o tema.” Barreira relata que ele mesmo contraiu o novo coronavírus e fez uso do remédio sem relatar efeitos colaterais. “Graças a Deus passei de forma tranquila pelo período que estive infectado”. A eficácia do medicamento para o tratamento de Covid-19 não foi comprovado por especialistas. O terreno ainda é o do achismo.

“Muitos médicos, empresários e políticos quando adoeciam tomavam essas medicações. E o pior, pareciam querer esconder o seu uso, por razões obscuras, e que até hoje não entendo”, escreveu o dono do Coco Bambu. “Hoje, muitas operadoras de saúde estão usando essas medicações já nas fases iniciais, mas esse protocolo de tratamento ainda não foi aplicado por todos os governos. Quantas vidas poderiam ter sido salvas? Quantas vidas ainda podemos salvar?”.

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Assim como Bolsonaro é devoto da cloroquina, Barreira é defensor ferrenho do presidente. Em 2019, declarou a VEJA SÃO PAULO que o mandatário foi brilhante em formar uma equipe com pessoas de qualidade e patriotas. Também não devemos esquecer de ser gratos ao Exército”. No ano anterior, ele doou 20 000 reais para a campanha do então candidato Bolsonaro, de acordo com o TSE.

Em entrevista a VEJA SÃO PAULO na noite da sexta (15) sobre as medidas que tomou ou pretende tomar durante a pandemia, Barreira afirmou que precisou demitir 1500 funcionários no país inteiro (cerca de 500 no estado de São Paulo). “Dos 4800 que mantivemos, a metade está trabalhando [em delivery] e a outra, suspensa. Se não voltarmos a abrir em breve, outros serão infelizmente demitidos”, antecipa as medidas que pretende tomar.

Na mensagem disparada, o empresário diz que, para parte da população em quarentena,“fica muito fácil defender o lockdown ou isolamento social horizontal. Afinal, ter um lar confortável, comida na geladeira, e até entretenimento dentro de casa, torna mais fácil”.

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