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Em Terapia

Por Arnaldo Cheixas Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Terapeuta analítico-comportamental e mestre em Neurociências e Comportamento pela USP, Cheixas propõe usar a psicologia na abordagem de temas relevantes sobre a vida na metrópole.

Os motivos da procrastinação e como driblá-la

Embora ninguém goste de adiar a resolução de pendências, às vezes, isso parece inevitável, como se uma força externa nos impedisse. O nome desse fenômeno é procrastinação e ele está ligado ao que a pessoa imagina que acontecerá caso ela faça o que precisa fazer. Basicamente a pessoa enxerga que algo ruim acontecerá se ela […]

Por Carolina Giovanelli 30 jun 2015, 22h13 | Atualizado em 26 fev 2017, 15h47
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Embora ninguém goste de adiar a resolução de pendências, às vezes, isso parece inevitável, como se uma força externa nos impedisse. O nome desse fenômeno é procrastinação e ele está ligado ao que a pessoa imagina que acontecerá caso ela faça o que precisa fazer. Basicamente a pessoa enxerga que algo ruim acontecerá se ela der cabo de sua tarefa.

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Essa expectativa de que algo ruim acontecerá pode ocorrer de duas formas. O procrastinador pode imaginar que:

a) se fizer isso, sentirá um desconforto enorme porque se trata de uma atividade que não dá prazer

Isso acontece nos casos em que a atividade em si não é prazerosa. Embora haja diferenças individuais (o que é prazeroso para um pode não ser para outro), são exemplos comuns desse tipo de atividade: escrever um relatório, elaborar um balancete, fazer uma faxina, cuidar de burocracias em repartições públicas, estudar para a prova de Cálculo III etc. Por não ser prazeroso, a tendência é adiar aquilo e fazer algo prazeroso no lugar, ou mesmo não fazer nada.

Por razões evolutivas, nosso cérebro é extremamente sensível para as consequências imediatas de nosso comportamento e menos sensível para as consequências de longo prazo. Assim, quando um comportamento envolve aspectos aversivos (não prazerosos), a tendência é adiá-lo.

Administradoras de cartões de crédito sabem disso muito bem. Sabem que o consumidor estará mais motivado a comprar se o pagamento for parcelado. Isso porque a parte agradável será fornecida imediatamente (o produto novo) e a parte desagradável (pagamento) será postergada para os meses seguintes. Muitas compras desnecessárias, ou que não cabem no orçamento, são feitas por conta desse elemento.

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Aqui entra também a preguiça. Alguns estudiosos acham que a preguiça não é um tipo de procrastinação. Eu penso que sim porque a preguiça nada mais é do que o nome dado para aquilo que não se quer fazer. E, se não se quer fazer, só pode ser porque aquilo não tem valor reforçador para a pessoa (não dá prazer). Assim, a preguiça jamais deve ser a explicação para deixar de fazer algo.

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b) se fizer isso, o resultado não ficará bom o suficiente e as consequências serão danosas.

Há atividades que podem até ser prazerosas para a pessoa, mas o medo de que o resultado não fique bom pode inserir um ingrediente angustiante nelas.

Uma das causas para este medo das consequências pode ser uma real inabilidade em executar aquela tarefa. É comum adiar uma tarefa no trabalho por não saber muito bem como fazê-la. A procrastinação, neste caso, pode acontecer tanto porque tenta-se magicamente adiar o contato com as consequências produzidas pelo fracasso quanto porque a busca pela solução é também desagradável.

Outra razão para o medo das consequências ruins pela execução de uma tarefa é o perfeccionismo, que é um tipo de insegurança. O perfeccionista tem medo de que suas limitações (imperfeições) sejam motivos para não ser aceito no coletivo, de modo que ele adia a realização das tarefas como forma de atrasar as consequências aversivas de seu fantasioso fracasso.

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Driblando a procrastinação

Primeiro é importante identificar se você quer ou não fazer a atividade e se você precisa ou não fazê-la. Se você não quer e não precisa fazer, simplesmente não faça e assuma sua posição de forma clara para os outros envolvidos. Quem procrastina algo que não quer e não precisa fazer, é porque assumiu algo por não saber dizer “não”. Parece bobagem mas mudar isso tira toneladas das costas e elimina uma parte significativa dos casos de procrastinação.

Diferentemente, se você não quer mas precisa fazer a tarefa, identifique do que você está se esquivando: se do fato de a atividade não ser prazerosa, se da ausência de habilidades para cumprir a tarefa ou se das críticas que você  possa receber (caso do perfeccionista).

Identificar a causa da procrastinação representa uma parte significativa do caminho para transpor este obstáculo porque você pode concentrar suas energias naquilo que realmente está lhe atrapalhando.

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Se o caso for falta de habilidade para executar a tarefa, trabalhe imediatamente na busca de tais habilidades e, se não for possível fazer isso sozinho, peça ajuda imediatamente a alguém. Saber dividir as responsabilidades é essencial para um fluxo produtivo.

Agora, se o que atrapalha é o fato de a atividade não ser prazerosa, a dica é se concentrar nos objetivos da atividade, no aspecto reforçador que está lá na frente. Por exemplo, é cansativo e chato elaborar um projeto para pedir um financiamento mas o logro do financiamento pode ser o fator motivante para fazer a tarefa. Como esse ganho está no futuro, se mostra importante que você se lembre dele o tempo todo enquanto executa a tarefa que levará a esse ganho.

Finalmente, se a fonte da procrastinação é o perfeccionismo, a única forma de vencê-la é por meio da dessensibilização. Você precisa ser exposto às consequências de realizar a tarefa. Simples assim. Ou seja, você precisa mais de disciplina e menos de motivação em si.

 

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Regra de ouro

Seja qual for o motivo da procrastinação, a forma de manter o engajamento na tarefa até o fim (até o contato com os ganhos pela realização) é fragmentar as ações que você terá de realizar até o fim da tarefa. Alguém que se veja diante da tarefa de organizar um escritório bagunçado correrá um sério risco de procrastinar a tarefa caso olhe sempre para o todo. Dia após dia dirá frases como “Nossa… preciso arrumar essa bagunça”.

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Para escapar dessa armadilha, o melhor é fazer um pouco por dia. Mesmo que haja muito trabalho pela frente, o importante é avançar um pouco diariamente. Pode-se começar pelas gavetas ou por um determinado armário, por exemplo. Se ainda assim parecer muito (não é possível organizar todo o armário hoje), deve-se organizar prateleira por prateleira. E assim deve-se seguir até a conclusão da tarefa.

Um elemento motivante e reforçador que muitas pessoas ignoram é a sensação de prazer por ver os resultados parciais da execução da tarefa. Ver a prateleira 1 organizada servirá de motivação para organizar a prateleira 2 e assim por diante.

Boa sorte ao começar a mudança amanhã… ou hoje!

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