Teto novo: Jacquin ocupará o ponto do La Vecchia Cucina, no Itaim

O chef Erick Jacquin me recebeu em seu restaurante, o La Brasserie, premiado como o melhor francês da cidade pela edição especial “Comer & Beber”. Para chegar, encarei o caos de trânsito provocado pelo pancadão de chuva na última quarta (11). Conversamos por pouco mais de uma hora, tempo em que ele fumou cinco cigarros, […]

Jacquin: “A cidade acontece no Itaim” (Foto: Mario Rodrigues)

O chef Erick Jacquin me recebeu em seu restaurante, o La Brasserie, premiado como o melhor francês da cidade pela edição especial “Comer & Beber”. Para chegar, encarei o caos de trânsito provocado pelo pancadão de chuva na última quarta (11). Conversamos por pouco mais de uma hora, tempo em que ele fumou cinco cigarros, tomou duas garrafas de água e uma taça de um tinto leve de Bordeaux.

Jacquin fez questão de desmentir os boatos de que fecharia a Brasserie, como contei aqui no blog no último dia 5. “Estou transferindo o restaurante para o Itaim. Isso deve ocorrer em um, no máximo dois meses”, adianta. Os fãs do foie gras, especialidade do chef, podem dormir tranquilos.

+ Erick Jacquin com o fogão na mala

O estabelecimento ocupará o ponto deixado pelo La Vecchia Cucina, charmoso endereço gourmet de Sergio Arno fechado em dezembro. Fica no térreo de um flat na Rua Pedroso Alvarenga e tem como quase vizinhos o Freddy, mais antigo francês da cidade, e o L’Entrecôte de Paris, que mantém um único prato no cardápio.

Durante o tempo que passamos juntos, notei que ele tinha um dos cantos do polegar direito machucado. Perguntei o motivo. “Mordi. Ando muito ansioso”, surgiu como reposta. Aparentemente bem tranquilo, Jacquin falou sobre o motivo da mudança, o custo de ter um “restaurante do tamanho de um navio”, a pouca clientela em Higienópolis, processos trabalhistas e planos para o futuro na entrevista a seguir:

O chef francês com Ottoboni: “Esse cara é o futuro da cozinha” (Foto: Arnaldo Lorençato)

Por que vai mudar de endereço?

É isso mesmo: não vou fechar, vou me transferir, o que é muito diferente. Vou porque aqui não está maravilhoso. Você só muda de apartamento para ter um melhor. Terei um ponto melhor. Esse período de oito anos que passei no bairro, aprendi muito. Tive três sócios no início. Dois deles [o empresário Laercio Cosentino e o arquiteto Evandro Andreoni] me trouxeram para cá, junto de uma loja da importadora Expand, que também tinha uma participação no restaurante. Os dois me disseram: você vai ser rei do bairro. Eles moravam bem perto com suas famílias. No final, o restaurante continua aqui e os dois estão morando nos Jardins. Tive momentos de felicidade muito grande nessa casa. Inovei. Montamos um restaurante muito bonito. Mas não foi suficiente. O Laercio deixou de ser meu sócio dois anos atrás. É uma pessoa com um sucesso enorme, que tem muitos negócios e o restaurante é uma empresa muito pequena para ele. Mas o Laercio me ensinou uma coisa: você não pode pensar, trabalhar com emoção. Estou falando de um negócio. Ele está certo. Não se pode ser sentimental com uma empresa. Por isso, faz tempo que penso em mudar. Esse é um processo caro e é preciso estar preparado, estudar bem o que fazer.

Quais são os problemas de ter um restaurante em Higienópolis?

Se chove, para tudo. Quarta, tem jogo do Corinthians, ninguém consegue chegar no restaurante. Domingo, se há jogo, é a mesma coisa. Fica tudo entupido. Ninguém anda.

Para onde vai?

Vou para o Itaim, que é hoje o centro de São Paulo.  O bairro está se expandido muito. Prédios comerciais brotam como champinhons no Bois de Boulogne [o mais famoso parque de Paris]. É o ponto de homens de negócios, o centro econômico, o lugar com mais agito. A cidade acontece no Itaim. E é o bairro onde comecei quando cheguei no Brasil [Jacquin era chef do extinto Le Coq Hardy]. Quero voltar a ser novidade no Itaim.

Como definiu o ponto do Itaim?

Um amigo avisou que o Sergio Arno tinha fechado e me colocou em contato com ele. Não sou amigo do Sergio, mas o conheço bem e o respeito muito. Liguei para ele, que me disse que seria um prazer me encontrar. Conversamos duas ou três vezes. O Sergio disse que preferia que fosse eu, um francês, a ocupar o lugar que ele deixou. Combinei com ele que no dia que reabrir a Brasserie, nós faremos uma jantar de inauguração juntos e ele me entregará a chave do restaurante. É uma coisa simbólica, mas muito importante.

Não tem medo de ir para um flat?

Não. Vou continuar fazendo minha comida, meu trabalho. Acho que um flat não é tão negativo assim. Além disso, conta com estacionamento e segurança, essenciais com tanto restaurante sendo assaltado.

O La Brasserie é caro?

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