Amsterdã: roteiro pela cidade que nos convida a passear de barco e bicicleta
Confira como aproveitar a atmosfera libertária e o cotidiano charmoso
Há lugares que parecem ser encantados, pintados a mão. A combinação de paisagem com a atmosfera, serena e charmosa, e o estilo de vida da capital holandesa a tornam um dos destinos mais sedutores do planeta. Amsterdã (represa do Rio Amstel) foi fundada há 750 anos, a partir de uma pequena vila de pescadores, e seus primeiros habitantes construíram uma barragem (dam) no Rio Amstel para que a cidade pudesse se desenvolver e se proteger das cheias. Nesse sentido, talvez a melhor forma de entender a capital holandesa seja a avistando de dentro d’água.
“Dos barcos para fora, a gente pode compreender melhor a cidade”, acredita Erik Sadao, um dos mais tarimbados operadores de turismo de lá, sócio da Sapiens Travel DMC. Para Sadao, Amsterdã é uma das cidades mais livres do mundo, e ele destaca essa característica como das mais significativas. “A liberdade individual das pessoas, de se respeitarem e poderem ser e fazer o que quiserem, é levada a sério. Elas têm muito a ensinar ao mundo sobre cidadania”, avalia.
A agência Sapiens vai além de traçar roteiros interessantes para os turistas. Formado em história da arte, Sadao dá aula aberta nas ruas da capital, nos museus e parques, fazendo uma curadoria apurada que leva a uma compreensão mais profunda do destino. Entrei no Van Gogh Museum achando que sabia bastante sobre o artista e sua história, mas saí de lá com outra compreensão, me emocionei vendo as obras depois de ouvir as histórias, que ganharam outros contornos. “Procuramos passar aos visitantes um entendimento dacidade minucioso e sensível”, explica Sadao (veja o quadro abaixo com roteiros sugeridos por ele).
Gogh (Zé Marcio Alemany/Reprodução)
Em uma localização central, às margens do Rio Amstel, está um dos hotéis mais preciosos da Europa, o belíssimo De L’Europe, que abriu as portas oficialmente com este nome em setembro de 1896, há 130 anos. Ao longo das décadas, o hotel foi se renovando e em 2006 conquistou o Green Key, o primeiro cinco estrelas a receber o selo de hotelaria sustentável. Ano passado, recebeu as três honrosas chaves Michelin, foi o primeiro hotel da Holanda a ter o titulo, classificação máxima do guia. O selo indica excelência em todos os detalhes, da arquitetura aos serviços. Não há como não concordar com a avaliação.
No momento em que se entra no hotel, descortina-se uma hospedaria luxuosa que traduz a alma holandesa e seu espírito charmoso. Os salões rebuscados enchem os olhos e o serviço é atencioso e agradável. No próprio hotel, podese alugar bicicletas, transporte favorito dali, além dos barcos, para dar uma volta e perceber que tudo é movido a duas rodas. Comum ver crianças ou mães levando dois ou três filhos nas cabines de sua bike. Importante aos visitantes estarem atentos pois as bicicletas movimentam o cotidiano da cidade, e as pessoas não estão ali a passeio, mas no trânsito normal.
Voltando ao mágico De L’Europe, cada suíte de luxo (com tamanhos entre 60 e 85 metros quadrados em média) tem sua própria decoração e atrativos desenvolvidos por arquitetos locais e vista incrível para o Rio Amstel, nas mais deslumbrantes luzes que vão se transformando ao longo do dia e da noite. O café da manhã é servido na clássica Brasserie Marie, em estilo francês e debruçada sobre o rio.
Para períodos mais quentes, como agora na primavera, os hóspedes podem ficar no terraço à beira do Amstel. Ali, são ofertados os deliciosos queijos locais, ou mesmo o inesquecível waffle, especialidade do país, servido com frutas vermelhas e mel. O lugar é tão icônico que tive a surpresa de encontrar ninguém menos que Sting no café da manhã. O cantor e compositor britânico, um dos fundadores e vocalista da histórica banda The Police, estava em temporada na cidade com o musical The Last Ship, inspirado na sua infância na cidade portuária de Wallsend, na Inglaterra. “Literalmente cresci à sombra do estaleiro”, diz Sting. “Sonhava em escapar, e consegui. Mas depois percebi que precisava retribuir de alguma forma. The Last Ship é minha homenagem às pessoas e ao lugar que me moldaram.”
Tive a honra de ser convidada por ele para assistir ao musical e o ver cantar de forma arrebatadora nesse espetáculo que é uma odisseia musical (do folk cru a corais vibrantes) com sua história de vida. A produção está rodando o mundo desde 2018 (@lastshipmusical). Sting tem uma ligação forte com Amsterdã e gravou um emocionante concerto dentro do Rijksmuseum, no seu projeto Sounds Like Art, cercado por obras magníficas de Rembrandt, o pintor holandês (1606-1669) considerado o maior de todos os tempos. Visitar a residência em que ele viveu e hoje funciona como museu-casa é outra emoção sem tamanho. Desde a fachada de tijolinhos com janelas de madeira vermelha e porta verde, construção datada de 1606. Os cômodos onde morava e trabalhava, seus pincéis, paletas, cavaletes e suas coleções particulares, além de suas obras e salas de aula, que hoje estão abertos para visitação e onde também são ministrados cursos de arte e desenho.
Para além de toda a rica vida cultural, flanar pelas ruas de Amsterdã é um sonho. Suas lojinhas de queijo, o perfume do stroopwafel (wafel de calda, em tradução livre), uma das mais típicas receitas dali, biscoitos finos colados por um recheio de caramelo, são vendidos em diversas formas, e por todos os cantos se encontram. O mercado de flores é, nesta época de primavera, um encanto à parte, quando a cidade fica repleta de tulipas. Outro passeio que não se pode deixar de fazer é ir conhecer a pequena fábrica de chocolates Tony’s.
E não se pode ir embora da cidade sem visitar o célebre Freddy’s Bar. Dentro do De L’Europe, é uma homenagem ao seu proprietário, Alfred “Freddy” Heineken (1923- 2002), que fez dele o primeiro hotel familiar de luxo de Amsterdã. O bar tem um glamour sem igual. Ali, é possível provar drinques clássicos, como dry martini, ou fazer uma pequena degustação de Heineken, ao som de um bom jazz ao vivo.
A visita a esta cidade é tão inspiradora que você vai embora sonhando em voltar. Ela envolve o visitante como as pinturas de Van Gogh e Rembrandt, numa magia de cores e formas, com movimento constante dos rios e das bikes. Ali se percebe que o tempo é outro.
Roteiro de experiências em Amsterdã curado pelo da Sapiens Travel DMC
› Tulipas: durante a primavera, há a visita a um jardim histórico de tulipas, criadas desde o século XVI. O passeio inclui ainda a entrada no Keukenhof, um dos maiores jardins do planeta, colheita de flores feitas pelos clientes, piquenique e almoço em restaurantes charmosos.
› Queijos: aqui inclui visita a mercados históricos em cidades como gouda e alkmaar, fábricas, workshops e degustação com pequenos produtores locais.
› Barco: uma volta pelos canais, foco na cultura e lifestyle da cidade com petiscos holandeses, como ostras, queijos, peixes e patês servidos com vinho.
› Grafite: passeio pelo bairro do grafite NDSm com especialista em street art e visita a ateliês.
*A diretora de núcleo hospedou-se a convite do hotel De L’Europe.





