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Especialistas consideram precipitado remover obrigatoriedade das máscaras

A flexibilização estudada pela prefeitura, que poderia entrar em vigor já em outubro, foi classificada por infectologistas como imprudente

Por César Costa Atualizado em 5 out 2021, 18h20 - Publicado em 5 out 2021, 16h58

A prefeitura de São Paulo estuda colocar fim à obrigatoriedade do uso de máscaras em locais públicos da cidade a partir da segunda quinzena de outubro. Apesar da vacinação avançada, especialistas, em conversa com VEJA SÃO PAULO, consideram que ainda é cedo para tal flexibilização.

“Acho imprudente neste momento”, diz Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Difícil decidir isso para uma cidade que recebe diariamente milhares de pessoas que vão trabalhar, estudar e moram em locais com cobertura vacinal mais baixa”, destaca.

Critérios como índice de vacinação e taxa de mortalidade pela Covid-19 serão observados para definir a viabilidade da medida. A expectativa é de que 90% da população da capital esteja vacinada até o dia 15 de outubro.

Raquel demonstrou preocupação com a variante Delta do vírus e sua ação em espaços ao ar livre. “Nós temos, no estado de São Paulo, a variante Delta resultando nos principais casos de Covid. Isso traz uma preocupação porque sabemos que essa variante transmite muito bem em ambientes abertos”.

Segundo ela, a nível estadual, a população efetivamente protegida é menor do que os quase 60% indicados com esquema vacinal completo no Vacinômetro. “Dentro desse número computado como vacinação completa, nós temos aqueles já foram vacinados há mais de um ano ou seis meses, e estão agora fazendo sua dose adicional. A população efetivamente protegida é menor.”

A imagem mostra a rua Tiers com o fluxo muito alto, cheio de pessoas e barracas espalhadas.
Dia de movimento normal na rua Tiers Alexandre Battibugli/Veja SP

“Acho muito precipitado”, diz diretor da Fundação Oswaldo Cruz

Diretor da Fiocruz, Rodrigo Stabelli concorda com a colega ao dizer que a medida da prefeitura de São Paulo é arriscada. “Acho muito precipitado. Os países que liberaram, como Israel, e que têm um sistema de vigilância epidemiológico bem melhor que o nosso fizeram a liberação e voltaram atrás depois de um surto”.

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Ele explica que há uma “extensa subnotificação” de casos de Covid-19 e que as vacinas ainda precisam ser aprimoradas com o objetivo de erradicação do antígeno. “Apesar de a vacinação diminuir a transmissão, as vacinas foram idealizadas e autorizadas para diminuição de casos graves e óbitos, e não para a erradicação da transmissão viral.  Mesmo os imunizantes com essa finalidade, como o do sarampo, demoraram mais de 5 anos para controle da doença após a imunidade da totalidade da população”.

Por sua vez, o infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, destaca que não há nenhum ganho objetivo ao deixar de usar o item de proteção. “Não vejo um ganho consistente em remover a obrigatoriedade que justifique colocar as pessoas em risco, até porque a transmissão se dá por via respiratória. Já existe uma adesão baixa [ao uso de máscaras] e você desestimulando certamente vai piorar “.

Kfouri também comenta sobre as dificuldades de se determinar o que é um ambiente aberto. “É difícil caracterizar o que é ar livre e o que não é. O que são ambientes abertos, os semi-abertos, até o que é aglomeração. E a máscara é um dispositivo que não traz restrições à população. A flexibilização é, neste momento, inadequada”.

Dados indicam que até esta terça-feira (5) 82% da população elegível está imunizada com as duas doses. A média semanal de mortes na cidade é de 14 óbitos, ou 2 por dia. Até o dia 15 de outubro, a prefeitura espera zerar os casos de mortes pela doença.

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