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Cartões-postais são pichados após nova onda de protestos

O Masp foi a vítima mais recente e o Monumento às Bandeiras sofreu vandalismo duas vezes em menos de 24 horas

Por Júlia Gouveia 11 out 2013, 19h22 | Atualizado em 5 dez 2016, 15h34
Masp pichado
Masp pichado (J. Duran Machfee/ Estadão Conteúdo/)
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Esculpido pelo artista ítalo-brasileiro Victor Brecheret (1894-1955), o Monumento às Bandeiras, instalado em frente ao Parque do Ibirapuera, é uma homenagem aos desbravadores que exploraram as veredas do país e suas riquezas, principalmente no século XVII. Mais de 300 anos depois, a representação dessas polêmicas figuras históricas, por vezes associadas a pilhagens e massacres, serviu de estopim para transformar a grandiosa obra de arte, cartão-postal da capital, em alvo de vandalismo por dois dias seguidos. 

Durante os protestos dos dias 1º e 2 contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que muda regras para a demarcação de terras indígenas, manifestantes jogaram tinta vermelha (para simular sangue) nas imagens de pedra e escreveram frases como “bandeirantes assassinos” e “PEC 215, não”. “Meu pai costumava dizer que o monumento era tão forte que resistiria até a bomba atômica”, lamenta o engenheiro Victor Brecheret Filho, filho do escultor. A limpeza, com solvente e água quente, começou no dia 3 e estava prevista para ser concluída neste fim de semana.

 

A cidade gasta 320 000 reais por mês para conservar seus mais de 400 monumentos. Eles têm sofrido vários ataques de vândalos. O mais recente ocorreu na última segunda (7), contra o Masp. Em uma manifestação de apoio à greve de alunos da USP e a professores da rede municipal carioca, que reclamavam no mesmo dia no Rio de Janeiro por melhores salários, o prédio da instituição teve duas de suas colunas rabiscadas com tinta branca. A pintura da fachada acabou sendo refeita na manhã de quarta (9), com matéria-prima importada da Alemanha.

Em junho, durante os protestos contra o aumento no preço das passagens de ônibus, o Teatro Municipal foi pichado e teve vidros danificados. A prefeitura precisou desembolsar 12 000 reais em reparos. Apesar de a depredação de patrimônio ser crime, passível de detenção por até um ano, as punições são raras. No caso do Masp, a administração não prestou queixa. Em relação à estátua de Brecheret, a Guarda Civil Metropolitana registrou boletim de ocorrência, mas ninguém havia sido identificado até a última quinta (10).

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