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MPT notifica Globo por falta de atores negros no elenco de ‘Segundo Sol’

Entre outras ações, texto recomenda de que sejam feitas mudanças no roteiro e na produção da novela em nome da representação racial

Por Redação VEJA São Paulo - Atualizado em 11 May 2018, 18h27 - Publicado em 11 May 2018, 18h26

A repercussão da ausência de atores negros no elenco principal da novela Segundo Sol chamou atenção do Ministério Público do Trabalho. Nesta sexta-feira (11), o órgão enviou por meio da Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidade e Eliminação da Discriminação no Trabalho uma notificação à Globo.

De acordo com esse parecer, a emissora não estaria representando a diversidade racial da Bahia, onde se passa o folhetim. O texto recomenda de que sejam feitas mudanças no roteiro e na produção para “assegurar a participação de atores e atrizes negros e negras de forma que represente a diversidade étnico-racial da sociedade brasileira”.

Também foram sugeridas ações em outros setores, como a realização de um censo para levantamento do número de artistas, e jornalistas negros presentes nas produções globais, além da apresentação de um plano de ações para garantir a igualdade de oportunidades e remuneração.

se passa na Bahia não estaria observando o respeito à representatividade negra, violando inclusive normas de promoção da igualdade do estado do RJ e BA

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A Globo tem dez dias para provar ao MP que tomou as medidas recomendadas à novela, e 45 dias para comprovar as outras treze recomendações. Em caso de descumprimento, o MPT pode firmar termo de compromisso de ajustamento de conduta, ou levar o caso à Justiça.

A Bahia lidera o ranking do IBGE em número de cidadãos negros – de acordo com o órgão, a população de Salvador é composta por 80% de pardos e negros. Dos mais de vinte integrantes do elenco principal, só três atores têm a pele escura (confira a lista completa aqui)

Depois da repercussão, a Globo admitiu em nota ter “uma representatividade menor do que gostaríamos” e que a representação seria discutida ao longo da novela. “O fato de se passar na Bahia, nos traz muitas oportunidades e, sem dúvida, reflexões sobre diversidade na sociedade”, diz um trecho. 

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