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Recém-inaugurado, Museu Vassouras homenageia cultura e história do Vale do Paraíba

Novo centro cultural reúne obras de artistas como Beatriz Milhazes, Walter Firmo, Djanira e Tarsila do Amaral

Por Laura Pereira Lima
25 fev 2026, 12h34 •
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Museu Vassouras (Rafael Salim/Divulgação)
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  • A cidade de Vassouras (RJ), localizada a 5h de São Paulo e 2h do Rio de Janeiro, ganhou um novo espaço cultural dedicado à cultura e a história do Vale do Paraíba.

    Inaugurado em dezembro de 2025, o Museu Vassouras nasce com o propósito de celebrar as tradições locais, com produções de artistas da região e obras que dialogam com a história do Vale do Café, como o quadro Figura Só, de Tarsila do Amaral, um dos destaques da exposição atual.

    De casarão abandonado a museu

    O Museu Vassouras foi montado em um prédio de 1848, que sediou o primeiro hospital da cidade, o Hospital Nossa Senhora da Conceição. Depois de 62 anos como unidade médica, o espaço virou um asilo, chamado de Asilo Barão do Amparo, que funcionou até 2007, quando foi abandonado por risco de desabamento. As estruturas mantiveram-se interditadas até que pegaram fogo em 2011. O espaço foi considerado patrimônio histórico pelo IPHAN em 1958.

    Quase sete anos de reformas resultaram na estrutura atual do Museu Vassouras, que abriu as portas na cidade fluminense no dia 6 de dezembro. O centro cultural abriga elementos do casarão histórico, como uma enorme porta de madeira e pedaços em que se pode ver as paredes originais de pedra e estruturas de pau-a-pique.

    “As pessoas mais velhas têm uma relação muito forte com esse espaço, por terem frequentado quando era um hospital. Entram e ficam mareados de ver uma ruína transformada em um grande museu”, explica Luana Oliveira, coordenadora educativa do museu.

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    Chegança

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    (Laura Pereira Lima/Veja SP)

    O museu faz sua grande estreia com a exposição Chegança, que teve curadoria de Marcelo Campos, curador-chefe do Museu de Arte do Rio (MAR), e fica em cartaz até 31 de maio. São 63 artistas e mais de 150 obras expostas. 

    A mostra é dividida em três salas, cada uma responsável por representar um aspecto da identidade local: Folias, que se debruça sobre as tradições afro-católicas, os reisados e outras manifestações culturais tradicionais, Vapor, que fala dos trens que conectava a região do Vale do Paraíba até os anos 70, e Milagres, sobre o Rio Paraíba e o encontro com Nossa Senhora Aparecida. No andar debaixo, outras duas obras completam a curadoria: uma obra de Rosana Paulino e um vídeo de Aline Motta em que ela investiga o passado da bisavó, que foi escravizada na região, a partir de documentos históricos. 

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    “A narrativa que impera na região é a dos barões do século XIX, das fazendas de café, da escravidão. Queremos trazer outras narrativas e outros olhares”, explica a diretora artística Catarina Duncan.

    Para isso, o museu misturou diversos tipos de obras. Os destaques incluem os retratos feitos por Dalton Paulo de Mariana Crioula e Manuel Congo, casal de escravizados da região do Vale do Paraíba que iniciou uma revolta nas Senzalas da Fazenda Freguesia. Após ser pego pelas autoridades, Manuel foi condenado à morte e executado na praça frente à Igreja Matriz de Vassouras — espaço vizinho ao ocupado pelo Museu. “Dalton devolve um rosto para essas pessoas, que não tiveram direito a um retrato”, aponta Duncan. 

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    Mariana Crioula e Manuel Congo (Laura Pereira Lima/Veja SP)
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    No casarão do século XIX, nomes consagrados, como Beatriz Milhazes, Walter Firmo, Djanira e Tarsila do Amaral, representada pela obra Figura Só, emprestada do Masp, dividem paredes com artistas contemporâneos e locais. “O interior de São Paulo é a continuação da paisagem daqui”, conta Duncan, sobre a relação entre a produção de Tarsila e as demais obras do museu.

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    ‘Figura Só’, de Tarsila do Amaral (Laura Pereira Lima/Veja SP)

    Outros destaques são duas paisagens de Abigail de Andrade, uma das raras artistas mulheres brasileiras do século XIX, e natural de Vassouras. Pessoas célebres nascidas na região também são homenageadas, como Rosinha de Valença e Clementina de Jesus (ambas nascidas em Valença, a menos de uma hora de Vassouras).

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    “Existe uma certa amnésia histórica assim sobre esse lugar, que se sente abandonado. Tem uma certa nostalgia colonial, dos tempos áureos do café. Então, temos todo um trabalho de pensar outras histórias”, reflete Duncan.

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