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Quarentena: com quem deixar as crianças e como entretê-las?

Eis os desafios dos pais neste momento de reclusão por conta do coronavírus

Por Fernanda Bassette Atualizado em 20 mar 2020, 19h18 - Publicado em 18 mar 2020, 19h02

A fonoaudióloga Camila Barbosa Barcelos, de 36 anos, decidiu reduzir a carga horária de trabalho à metade para poder cuidar dos filhos, João Pedro, de 6 anos, e Benício, de 3. As crianças costumam ficar com os avós, porém ela teve de abrir mão dessa alternativa por proteção aos mais velhos, de maior vulnerabilidade aos efeitos do coronavírus. “Minha renda vai cair, mas o isolamento é necessário”, diz.

A decisão do governo de São Paulo de suspender as aulas presenciais nas escolas públicas desde a última segunda-feira (16), e definitivamente na próxima semana, foi seguida pelas particulares e municipais e impõe aos pais, principalmente aos que não podem trabalhar remotamente, alguns desafios. O primeiro: com quem deixar os pequenos? Só nas redes públicas da capital são quase 2 milhões de alunos.

A gerente de vendas Márcia Ometto, de 46 anos, teve de recorrer a uma sobrinha para que ela ficasse com sua filha, Helena, de 5 anos, enquanto a escola estiver sem aulas. A menina está matriculada em período integral, das 8 às 18h30, para que os pais possam trabalhar. “Eu estava sem saber o que fazer, pois não poderia deixá-la com os avós, por existir esse risco maior para eles. O que me salvou foi a suspensão das aulas da faculdade da minha sobrinha”, conta Márcia.

  • Com uma profissão-chave neste momento de pandemia, a enfermeira Jaqueline Marcon, de 36 anos, não pode parar de trabalhar. Por isso pagará a uma babá para cuidar de seu filho, de 1 ano e 7 meses. Para ela, outra questão é como entretê-lo de maneira adequada. Hoje, entrega uma bola ou papéis com giz colorido ao garoto para que se divirta, mas diz que gostaria de ter mais criatividade nas brincadeiras.

    Camila e Henrique com os filhos, João Pedro e Benício Divulgação/Veja SP

    Essa é uma questão até para quem conseguiu se organizar para ficar com os pequenos, como no caso de Camila. Ela o marido, Henrique, que trabalha com relações internacionais em uma multinacional e pode fazer home office, resgataram brincadeiras antigas. Como João Pedro já sabe escrever, brinca com os pais de Stop (uma letra é sorteada, e os participantes devem citar nomes próprios, de frutas, de países etc. que comecem com ela). Além disso, a família está fazendo campeonatos de videogame e muitas atividades com tintas e telas. “Tudo para liberar os sentimentos dos meninos”, explica a mãe. Como o pai adora fotografia, ensina o filho a produzir imagens. “João

    Pedro está se divertindo tirando fotos das plantas de casa, dos bonecos e dos brinquedos”, conta a fonoaudióloga. Haja criatividade para espantar o tédio durante toda a temporada necessária de quarentena, mas é possível transformá-la em um período mais agradável e produtivo. As páginas seguintes trazem dicas para toda a família, a começar pelas crianças, de como passar pelos necessários dias de recolhimento.

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