Peça sobre morte é encenada dentro de cemitério de São Paulo
Solo parte da morte do pai da atriz e diretora para discutir o tabu em torno do fim da vida
Apresentada na capela do cemitério do Redentor, no Sumaré, a peça Queda de Baleia, ou Canto para Dançar com Minha Morte, solo da atriz e diretora da peça Bruna Longo, volta a São Paulo neste sábado (12) para uma nova temporada.
Em cena, Bruna interpreta uma versão de si mesma que acaba de morrer e tenta elaborar o próprio luto. A partir dessa situação, a peça aborda a relação humana com a finitude, o silêncio e o medo diante da morte e o encurtamento dos ritos de passagem nas sociedades ocidentais.
O ponto de partida é a experiência pessoal da artista. O pai de Bruna morreu em julho de 2022 e foi sepultado no cemitério do Araçá, também na capital. Segundo relato publicado pela atriz em seu site, os dias seguintes foram tomados pela burocracia em bancos, cartórios e seguradoras, sem espaço para elaborar o luto. “Não falar da morte não a afasta, apenas a torna mais temerosa”, escreveu.
A peça estreou em setembro de 2025, na mesma capela, e rendeu a Bruna uma indicação ao Prêmio APCA de melhor atriz daquele ano. O espetáculo voltou a cartaz entre janeiro e fevereiro de 2026 e passou pelo Festival Fringe de Edimburgo, na Escócia, em agosto.
QUEDA DE BALEIA, OU CANTO PARA DANÇAR COM MINHA MORTE. Capela do Cemitério do Redentor. Avenida Doutor Arnaldo, 1105, Sumaré. De 12 a 26/10. Sex., sáb. e dom., às 19h. R$ 80,00. Ingressos em sympla.com.br.







