Música também é responsabilidade
A trilha sonora de bares, restaurantes, hotéis e lojas influencia o consumo, fortalece marcas e movimenta toda uma cadeia criativa
Os frequentadores de bar, restaurante, supermercado ou academia sabem: a música pode transformar ambientes. Para Isabel Amorim, superintendente do Ecad, a música deixou de ser apenas pano de fundo e passou a integrar estratégias de branding e fidelização. “Quando o empresário trata a música de forma intencional, ele transforma a experiência do cliente e fortalece a identidade do negócio”, diz.
Para que isso aconteça, há uma cadeia inteira de criação. “O papel do Ecad é fazer a gestão coletiva dos direitos autorais de execução pública musical. Para isso, realiza a arrecadação junto aos usuários de música e distribui os valores aos titulares das obras executadas”.
Importância nacional
Em 2025, o Ecad distribuiu R$ 1,7 bilhão para mais de 345 mil titulares, entre compositores, intérpretes, músicos, editores e produtores fonográficos brasileiros e estrangeiros.
Para os artistas receberem seus direitos, precisam estar filiados a uma associação de música – Abramus, Amar, Assim, Sbacem, Sicam, Socinpro ou UBC –, manter o repertório atualizado e a execução musical deve ocorrer em um estabelecimento adimplente.
A quantidade de obras musicais cadastradas no Ecad cresceu 18% em relação a 2024, chegando a 24,8 milhões de obras.
Música estrangeira e IA
No mercado, ainda há a percepção de que tocar músicas estrangeiras elimina a necessidade de licenciamento, uma confusão comum diante da Lei Federal 9.610/98. “O Brasil possui acordos internacionais de reciprocidade que garantem proteção às obras de autores estrangeiros da mesma forma que as músicas brasileiras são protegidas no exterior”, aponta Isabel.
Há também as plataformas de música geradas por inteligência artificial, que aparecem como uma alternativa para compor playlists comerciais. Mas esse é mais um ponto de atenção. “A gestão coletiva da música acompanha a evolução da IA no setor musical. Esses sistemas produzem resultados porque foram treinados com obras criadas por seres humanos. Caso esse uso ocorra sem autorização, pode ser configurado como uma violação de direitos”.
Boas práticas
“O primeiro passo é buscar orientação. O Ecad possui canais de atendimento e equipes preparadas para orientar empresários dos diversos segmentos. A ideia é justamente facilitar a regularização e promover um entendimento mais claro sobre a importância dos direitos autorais para a sustentabilidade da música e da cadeia criativa brasileira”, finaliza Isabel.
Para saber mais, acesse ecad.org.br/campanha-institucional.







