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Grupos de desenho em São Paulo se reúnem para trocar experiências e registrar a cidade

Movimentos como o Urban Sketchers e o Saideira Ilustrada agregam desenhistas em encontros que transformam a ilustração em experiência coletiva

Por Mirela Costa 25 jan 2026, 08h00 •
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No Urban Sketchers, desenhistas se encontram para registrar a cidade e documentar suas transformações (Breno Burrego/Reprodução)
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  • O ritmo frenético é inerente ao dia a dia paulistano. Longos trajetos, agendas cheias e milhares de histórias que se cruzam pelas ruas e avenidas atribuem a São Paulo — aniversariante deste domingo (25) — a alcunha de “cidade que não para”. Há, no entanto, uma prática que leva seus adeptos a pausar a rotina acelerada e voltar olhares atentos ao espaço urbano a fim de registrá-lo: o desenho de observação.

    O maior representante global da atividade é o Urban Sketchers, movimento criado em 2007 pelo jornalista e ilustrador espanhol Gabriel Campanario e presente em mais de setenta países, conectando interessados em desenhar cenários cotidianos e construir narrativas artísticas a partir da contemplação in loco. A iniciativa chegou ao Brasil em 2011, quando os ilustradores Eduardo Bajzek, Juliana Russo e João Pinheiro fundaram o Urban Sketchers Brasil, em São Paulo.

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    Desenho de observação: registros visuais a partir da contemplação da cidade (Breno Burrego/Reprodução)

    Ativa há quinze anos em território nacional, a comunidade se expandiu pelo país e tem na capital paulista sua participação mais expressiva: a cada encontro, reúnem-se aqui entre setenta e 120 sketchers — como são chamados os integrantes do grupo —, segundo o arquiteto Breno Burrego, que coordena o núcleo paulistano ao lado de Nicolie Duarte e Ronaldo Kurita.

    “O desenho de observação é uma atividade aberta a todos, sem julgamentos ou necessidade de experiência. Todos chegam, desenham o local e depois observam os trabalhos dos outros”, comenta Breno. Em eventos quinzenais, o grupo se reúne em museus, instituições culturais ou marcos históricos da cidade. Após percorrer mais de 200 pontos icônicos, como o Theatro Municipal e a Estação da Luz, o coletivo anuncia uma edição comemorativa dos 472 anos de São Paulo, com um encontro no Largo Santa Ifigênia no próximo domingo (25), das 10h às 12h30.

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    No Urban Sketchers, os integrantes desenham enquanto trocam experiências e visões sobre a cidade (Breno Burrego/Reprodução)

    Ao final das reuniões, os sketchers posicionam suas ilustrações lado a lado no chão, contrapondo diferentes perspectivas do espaço observado. Para a engenheira civil Aretusa Sousa, que frequenta os encontros desde 2024, a “exposichão” — como é chamada a ação de encerramento — é uma forma de trocar diferentes visões críticas e estéticas acerca da mesma paisagem urbana: “É incrível ver a quantidade de detalhes que podem ser explorados em um único lugar”.

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    Sesc Pompéia registrado por Breno Burrego, um dos coordenadores do grupo (Breno Burrego/Reprodução)
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    Breno também destaca os desenhos como um meio de documentação histórica da cidade, sobretudo em locais que enfrentam renovações estruturais e processos de gentrificação. “Registramos a Vila Itororó, na Bela Vista, em 2015, quando a região tinha acabado de ser desapropriada e passava por obras. Desde que a vila reabriu como centro cultural, em 2021, voltamos algumas vezes e os registros foram bem diferentes”, relata.

    A conexão entre desenhistas profissionais e amadores também se dá em outros grupos de ilustração, caso do Saideira Ilustrada. Criada em abril de 2023 pelo ilustrador e diretor de arte Natan Nakel, a iniciativa reúne mensalmente artistas de variadas áreas, níveis de experiência e estilos gráficos. Ao contrário do desenho de observação, o Saideira propõe encontros de temática livre que acontecem no Restaurante Dines Sensação, no Paraíso.

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    À mesa: no Saideira Ilustrada, artistas desenham e trocam ideias enquanto comem e bebem (Casa Locomotiva/Reprodução)
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    Entre comes e bebes, os participantes trocam experiências e rabiscam extensas folhas de papel Kraft que cobrem as mesas. “A mesa vira quase um divã. Além da troca de técnicas artísticas, o desenho em conjunto promove um intercâmbio de vivências”, afirma Natan.

    Assim, despretensiosamente, vai sendo criado um rico acervo visual da cidade.

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