Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês

O sucesso das esculturas de bronze de Flávio Cerqueira

Artista<strong> </strong>que<strong> </strong>trabalhava em loja de material elétrico no Brás ganha individual no Jardins até terça (14)

Por Julia Flamingo Atualizado em 1 jun 2017, 16h07 - Publicado em 10 jun 2016, 19h18

Andar de lá para cá com uma caixa de ferramentas, transportar frágeis obras em pesados estojos de madeira, instalar telas numa exposição e pendurar quadros na parede da casa de colecionadores. A figura de um montador é indispensável em qualquer galeria ou museu. Durante quatro anos, Flávio Cerqueira desempenhou essa função na renomada Galeria Casa Triângulo, nos Jardins.

+ Museus de Paris recriam obras de arte clássicas no Instagram

+ Seis eventos para os amantes da fotografia

Na atual mostra em cartaz no lugar, porém, outra pessoa está encarregada desse trabalho braçal. Cerqueira virou autor e estrela da exposição. Sua segunda individual no local, Se Precisar, Conto Outra Vez reúne até terça (14) seis esculturas de bronze com figuras que são a marca de sua produção: crianças de tamanho real em diferentes situações. Algumas brincam com água, outras picham um muro ou estão soterradas por montanhas de livros.

Amnesia Flávio Cerqueira
Amnesia Flávio Cerqueira

Vindo de uma família de classe média-baixa de Guarulhos, o artista investe bastante na crítica social. Um de seus temas prediletos é o preconceito racial. A estátua Amnésia, por exemplo, mostra um menino negro despejando uma lata de tinta branca sobre si. “O Brasil encarou 400 anos de escravidão e, depois disso, passa por um processo de branqueamento da população”, entende. O artista tem a pretensão de reescrever a história do país por meio de seus personagens. Esse desejo fica especialmente claro em O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, na qual procura chamar atenção para a situação do povo indígena.

Continua após a publicidade

Flávio Cerqueira
Flávio Cerqueira

O talento para a escultura surgiu aos 17 anos, em 2000, quando começou a criar bruxas e duendes de massinha para vender aos colegas de escola. No ano seguinte, ingressou na Faculdade Paulista de Artes para estudar educação artística, período em que adotou o barro como matéria-prima de sua produção. A ideia de aderir ao bronze surgiu no mesmo ano, depois de visitar uma exposição do francês Auguste Rodin na Pinacoteca. “Essa foi uma das minhas primeiras idas a um museu. Fiquei fascinado”, relembra.

Em 2006, então atuando como vendedor de uma loja de material elétrico no Brás — onde ganhava 380 reais por mês —, Cerqueira foi convidado para trabalhar como montador na Galeria Casa Triângulo. Ali, teve o primeiro contato com a arte contemporânea. Para estudar por conta própria, pegava emprestados livros e revistas a respeito do tema. E, discretamente, produzia suas esculturas às segundas-feiras, dia de folga do emprego. “Durante quatro anos, ele não contou a ninguém sobre sua vocação”, afirma o diretor do espaço, Ricardo Trevisan. Em 2010, ele seria o primeiro comprador das obras de Cerqueira, por 2 000 reais — hoje elas chegam a custar até 80 000 reais.

+ 7 festas juninas para levar seu amigo hipster

A visibilidade crescente nos anos seguintes o levaria a montar sua primeira individual, Ensimesmados, em 2013. Hoje, o artista figura em acervos de instituições como Pinacoteca, MAC-USP, Museu Afro Brasil e Itamaraty, e em coleções particulares de nomes como o banqueiro Alfredo Setúbal e o advogado Sérgio Carvalho. A atual exposição teve dez obras vendidas. Outros de seus personagens foram adquiridos por colecionadores da Suíça e da Dinamarca.

Flávio Cerqueira
Flávio Cerqueira

Cada uma das estátuas demora até três meses para ficar pronta. As peças nascem em um ateliê na Barra Funda. O artista começa fazendo uma imagem de barro e a cobre com uma camada de silicone. Essa estrutura serve para criar um molde de gesso da figura. O último passo consiste em recheá-lo com cerca de 30 quilos de bronze fundido a 300 graus. A finalização é realizada dentro de um pequeno galpão industrial na cidade de Piracicaba, no interior. Assim surge mais um de seus meninos, que ganham vida quase à maneira de Pinóquio, o lendário boneco criado pelo italiano Carlo Collodi. “É uma matéria-prima mais complicada com que lidar, mas meu objetivo é perpetuar meu trabalho”, afirma Cerqueira.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Para entender e curtir o melhor de SP, Veja São Paulo. Assine e continue lendo.

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

Resenhas dos melhores restaurantes, bares e endereços de comidinhas de São Paulo.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)

Impressa + Digital

Plano completo da VejaSP! Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Resenhas dos melhores restaurantes, bares e endereços de comidinhas de São Paulo.

Receba semanalmente VejaSP impressa mais acesso imediato às edições digitais no App Veja, para celular e tablet.

a partir de R$ 19,90/mês