Do Playcenter à Livraria Cultura: página no Instagram vira refúgio para saudosistas
Criado pela designer Luísa Guarnieri, o projeto transforma fotos de arquivos pessoais em um mural coletivo de locais que sumiram da paisagem paulistana
Entre tantos estímulos visuais, uma página no Instagram relembra tempos em que tirar uma foto, na era pré-smartphones, era um acontecimento. O Acervo de Lugares Inexistentes reúne registros de locais que sumiram da paisagem paulistana, deixando saudade.
Criado em setembro de 2024 pela designer gráfica Luísa Guarnieri, o perfil virou um refúgio nostálgico para mais de 35 000 seguidores, que compartilham memórias afetivas. “Eu acompanho muitos acervos on-line por causa de meu trabalho. Mas, na maioria das vezes, são dos Estados Unidos. Pensei que faltava algo semelhante aqui”, conta Luísa.
O pontapé inicial foi uma busca pessoal por imagens do antigo parque de diversões do Shopping Market Place. “Eu tinha poucas fotos de lá e queria juntar com as de outras pessoas.” Então, começou a receber contribuições de seguidores e o perfil cresceu.
Os lugares em São Paulo são os que mais atraem comentários, sendo o Parque da Xuxa (onde hoje fica o Parque da Mônica) um dos principais. “Eu era pequena quando frequentava, mas lembro que adorava a casa da Xuxinha e o sol gigante na entrada de uma das atrações”, diz a seguidora e analista de marketing Samara Ferreira, 22.
Também aparecem nos posts o antigo Parque da Mônica, o Kidzania (ambos no Shopping Eldorado), o Credicard Hall (atualmente nomeado Vibra São Paulo) e a Livraria Cultura no Conjunto Nacional (que deu lugar à Galeria Magalu).
Gabriela Sampaio, 23, formada em gastronomia, lembra de uma edição do Meus Prêmios Nick no Credicard Hall: “Foi minha primeira vez vendo grandes artistas de quem eu era fã, fiquei na grade e pude ver de pertinho o que eu assistia na televisão. Memorável”.
Outro destaque é o Playcenter, que “marcou a infância, adolescência e vida adulta” do executivo de contas Ricardo Fernandes, 34. “Tudo que conquistei hoje começou lá, no meu primeiro emprego, que me abriu as portas para o universo dos parques e do entretenimento, área em que trabalho até hoje. Fiz amizades e tenho um carinho enorme por tudo que vivi ali.”





