Da CPTM para a avenida: as histórias de mulheres que vivem o Carnaval em SP
Conheça Katia e Natalia, colaboradoras que conciliam a folia com o trabalho
Em meio ao barulho dos trilhos dos trens de São Paulo, duas colaboradoras da CPTM aguardam ansiosamente a chegada do Carnaval, época que para muitos é a motivação do ano: “É o que me move. Se não tivesse Carnaval eu acho que não cuidaria tão bem da minha saúde, muitas alegrias não teriam acontecido”, declara Katia Luzia, rainha de bateria e agente de operações na estação Estudantes, linha 11-Coral da CPTM há 12 anos.
Ela conta que concilia a rotina do trabalho com os ensaios nas escolas de samba desde 2007, quando foi convidada a ser rainha de bateria em Ferraz de Vasconcelos, município na zona leste de São Paulo. “É um desafio enorme, eu lembro que quando me chamaram eu travei, era tudo muito mágico.”
Depois dessa experiência, a folia carnavalesca virou parte do seu dia a dia. Hoje, Katia desfila na Unidos de Guaianases, escola localizada na zona leste da capital paulista, como madrinha de bateria. “Eu também represento todas as escolas de Ferraz de Vasconcelos, como atual rainha do Carnaval da cidade”, explica.
Ela conta que sempre teve o apoio da operadora ferroviária para participar da festa: “Esse ano eu tive o prazer de conseguir, pela primeira vez, tirar minhas férias em fevereiro para desfilar no Rio de Janeiro”. 2026 será o primeiro ano que a agente se apresentará na Unidos do Sacramento como madrinha da escola carioca, o que, segundo ela, aumenta ainda mais as expectativas para a folia.
“Eu quero que as pessoas olhem para mim e falem ‘valeu a pena dar esse título’, sabe? E assim, eu sou pé quente, então as escolas que eu vou desfilar, eu acredito que terão um bom resultado”, brinca.
Monobloco e os amores de Carnaval
Fora das avenidas, outra colaboradora da CPTM concilia a rotina com os preparativos para o feriado, data que celebra desde o nascimento. Natalia Nogueira é fruto de um amor de Carnaval. Ela conta que seus pais se conheceram em um baile na zona leste de São Paulo. “Quando era criança costumávamos assistir o Carnaval de rua que acontece até hoje próximo ao metrô Vila Matilde. Assistíamos juntos aos desfiles do Sambódromo pela televisão. Meu amor e contato nasceu aí”, conta.
Engenheira em um departamento de manutenção de sistemas há 14 anos, Natalia começou a frequentar o Monobloco, bloco de rua tradicional em São Paulo, até que foi incentivada pela irmã a aprender algum instrumento na oficina deles, em 2019: “Tivemos um período de pandemia de dois anos sem desfile, então esse ano será o meu quinto desfile com eles”.
“Acho que eu sempre amei o fato da minha família ter se formado através de um amor de Carnaval. Hoje a minha relação é muito mais intensa, porque fazer parte da oficina do Monobloco se tornou o meu momento. O tempo que eu tiro para dar uma pausa na correria da vida e me dedicar a fazer algo que gosto e sinto prazer”, conta.
Apesar da correria do dia a dia, a colaboradora vê os desfiles e ensaios, que começam de oito a nove meses antes da apresentação, como uma alívio na rotina. “A expectativa é de uma festa linda nas ruas. De gente feliz, que se respeita e se diverte.” Além do desfile no pré-Carnaval da capital paulista, ela participará do pós no Rio de Janeiro, também com o Monobloco.





