Centro cultural ºAndar reabre na Santa Cecília com programação especial
Espaço para ensaios, peças, exposições e mais inaugura nova sede com agenda de arte e teatro
Renasce um centro cultural na Santa Cecília. É ºAndar, espaço para ensaios, exposições, peças e outras atividades criativas, que se muda para poucos metros de distância da sede original, antes um prédio e agora uma casa — movimento raro em São Paulo atualmente.
O local estará aberto ao público a partir desta segunda (23), com programação especial e diversa. Inaugurado em 2017 pelas produtoras Ana Paula Dias e Anayan Moretto, o endereço antigo foi requisitado pelo proprietário em abril passado.
Por sorte, não foi necessária muita andança para encontrar o novo lar, que fica na mesma quadra da Rua Doutor Gabriel dos Santos. “A casa estava fechada havia sete anos, antes era um hostel. É um bem com partes tombadas, ladrilhos e acabamentos”, explica Anayan.
Um cômodo em formato de caixa preta para espetáculos e outras sete salas funcionarão ali, incluindo estúdios de imagem, onde poderão acontecer ensaios fotográficos e de som, para gravações de áudio e podcasts. Há ainda um espaço de coworking, para locação, e um ateliê multiúso.
Nos próximos meses, uma série de atividades vai esquentar o lugar. Ana Paula Dias abre o pano neste sábado (21), com a estreia apenas para convidados do solo Bombordo ou Uma Ilha para o Esquecimento.
Às segundas-feiras, a partir de 2 de março, rola a mostra Segundas de Solo, que convida artistas a compartilharem suas pesquisas em cena. A atriz Ângela Ribeiro será a primeira e ocupa a grade no mês de março com Belmira, peça de Carla Zanini que acompanha uma professora paraense que sobrevive a um atentado escolar.
Outro destaque é a exposição Retrato de Manifestante, do fotojornalista e documentarista Roberto Setton, colaborador da Vejinha. Estarão expostos 320 rostos registrados em passeatas na capital paulista entre 2016 e 2022.
O trabalho é fruto de uma pesquisa ainda maior, realizada desde 2013 em manifestações das mais variadas pautas e segmentos políticos, da esquerda à direita. “São retratos consentidos, sempre com a mesma lente e distância, em preto e branco”, explica o autor, sobre a série que será exibida.
Estarão expostas imagens de vinte desses atos públicos, que retratam desde black blocs mascarados até mulheres celebrando o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. “Nas conversas, a maioria das pessoas queria ser fotografada. Elas tinham orgulho de estar ali, não sentiam vergonha, pelo contrário”, relata o fotógrafo. A visitação abre nesta segunda-feira (23) e segue até o dia 19 de abril.
A agenda que inaugura a nova fase começa tão plural quanto a sua vocação. A curadoria dos projetos é assinada pelas fundadoras em parceria com Victoria Moliterno e Telma Fernandes. Os produtores Marcelo Leão e Lucas Vanatt completam a equipe.
Agora com suas portas abertas à calçada, enquanto antes ocupava o segundo piso de um edifício, a expectativa é ver a relação com a vizinhança crescer. “Na antiga sede, sem contato com a rua, poucas pessoas nos encontravam espontaneamente. Hoje vemos os transeuntes e a curiosidade pelo espaço, ainda na reforma”, conta Anayan. Um polo cultural renovado na região, para todas as artes.
Confira a programação completa
De 21/2 a 8/3 – Bombordo ou uma Ilha para o Esquecimento
De 14/3 a 29/03 – Las Neuronas – Realidade é aquilo em que prestamos atenção (OPOVOEMPÉ)
SEGUNDAS DE SOLO
2/3 a 30/3 – Belmira
6/4 a 27/4 – Chef Psi – como comer como como
4/5 a 25/5 – Penelopéia – uma palestra-dançada
1/6 a 29/6 – O Medo da Morte das Coisas
EXPOSIÇÃO
21/3 a 19/4 – Retrato de Manifestante – Roberto Setton
ºAndar. Rua Doutor Gabriel dos Santos, 88, Santa Cecília, Tel. 3666-6138.
Publicado em VEJA São Paulo de 20 de fevereiro de 2026, edição nº 2983





