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Cássio Pires fala sobre adaptação de peça de Tolstoi

O dramaturgo retirou elementos obsoletos de <em>Sonata a Kreutzer - Uma História para o Século XIX</em> para atualizar a história do assassino confesso da esposa

Por Livia Deodato Atualizado em 5 dez 2016, 19h46 - Publicado em 18 jan 2013, 18h25

Transformar um romance em um texto teatral não é dos trabalhos mais simples, principalmente se a obra em questão for de Leon Tolstoi (1828-1910). O professor, diretor e dramaturgo Cássio Pires foi o responsável pela adaptação de Sonata a Kreutzer que após bem sucedida temporada, volta a ser encenada no Teatro Cacilda Becker. A prosa, que originalmente tem noventa páginas, virou um monólogo de dezessete páginas interpretado por dois atores – André Capuano e Ernani Sanchez – e dirigido por Marcello Airoldi.

O texto de 1891 conta a história de um assassino confesso, Pozdinichev, que matou a mulher e tenta encontrar os motivos e a justificativa para o crime que cometeu, em meio a uma série de contradições. No livro original, o interlocutor do protagonista é o narrador, que conhece o assassino numa longa viagem de trem pela Rússia. “Esse era um artifício bastante utilizado pelos escritores do século XIX: inserir um personagem secundário, assim como uma ambientação (no caso, o trem), como pretexto para se chegar à história”, diz Cássio Pires.

O dramaturgo deixou o trem e o personagem secundário de fora da peça para, então, reescrever a história como um monólogo a ser interpretado pelos dois atores. “São como dois desdobramentos, duas vozes, duas leituras, que se alternam na narração e, eventualmente, dialogam entre si.”

Na novela de Tolstoi também havia muitas ideias datadas e  obsoletas. Pires enxugou o texto original para que restassem apenas os elementos que dissessem respeito aos dias de hoje. O espaço que a mulher conquistou, por exemplo, é bem diferente daquele da esposa assassinada.

Ainda que viva uma tragédia, o protagonista é capaz de despertar compaixão, acredita Pires. “Pozdinichev consegue ultrapassar a rede de julgamentos morais. Ele vive entre o limiar daquele que se acusa e, ao mesmo tempo, defende-se com os próprios argumentos”, diz. “É de uma humanidade muito profunda, que faz com que os espectadores lidem com aquela experiência sem culpá-lo, mas também sem se identificarem.”

A música de Beethoven, que inspirou Tolstoi e foi composta 85 anos antes de sua obra, permeia todo o espetáculo. O músico Lívio Tragtenberg ficou no encargo da narrativa sonora, igualmente relevante para a composição de todo o espetáculo.

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