Aniversário de SP: livro “Prédios de São Paulo” ganha nova edição com edifícios inéditos
Publicação que revela a identidade arquitetônica da cidade, tem reedição marcando os dez anos do primeiro lançamento
Tendo por hábito passear pelas ruas de São Paulo como um flâneur das construções paulistanas, o romano Matteo Gavazzi criou, em 2014, uma página no Facebook para obter mais informações sobre prédios que fascinavam. Surgia ali o embrião da coletânea Prédios de São Paulo (Editora Brava, 2015- 2017), cuja primeira edição foi lançada dois anos após ele fundar a própria imobiliária, a Refúgios Urbanos. Nos dez anos da série, composta por três livros que reúnem mais de 300 prédios icônicos, veio a ideia de criar uma edição especial comemorativa. “Para nós é muito gratificante ver que o projeto ajudou a divulgar esse olhar sobre a preciosidade cultural que esses endereços carregam”, diz Gavazzi.
Foi mais de um ano entre curadoria dos endereços, sessões de fotos e pesquisa para os textos que reúnem bastidores e curiosidades. “Montamos uma lista com prédios das outras edições que deveriam permanecer, como o Masp e o Theatro Municipal, ícones incontornáveis, e outros inéditos. A seleção reflete a mensagem do livro: compartilhar com as pessoas o que chama nossa atenção enquanto amantes da arquitetura”, diz Octavio Pontedura, sócio da imobiliária.
No rol de estreantes estão o Corujas, conjunto de escritórios na Vila Madalena, o residencial Anchieta, na Paulista, e o Teatro Cultura Artística, no centro. Administrador do perfil do projeto no Instagram, com mais de 73 000 seguidores, Mario Rodrigues foi responsável pela maioria dos textos. “A escrita foi especialmente interessante a respeito dos prédios mais contemporâneos. Temos alguns que estão renascendo, como o Edifício Virginia, que estava deteriorado. Outros me surpreenderam por serem construções interessantes de incorporadoras. São raros os que possuem uma arquitetura assinada. É o caso do Tico Indiana, no Brooklin, que até preserva uma jabuticabeira da casa original”, destaca Mario.
Artística (Milena Leonel/Divulgação)
Dividido por décadas, desde o fim do século XIX até 2020, o livro registra um pouco da mudança da cidade, contrapondo, por exemplo, o Masp ao seu recente anexo, o Edifício Pietro Maria Bardi. “É muito interessante ver a história por essa perspectiva. De um lado, tem o Copan, que está há muitos anos em uma obra sem fim, e, de outro, o Cultura Artística, que, apesar do incêndio, ressurgiu como se tempo nenhum tivesse passado”, compara Milena Leonel, que capitaneou o time de fotógrafos e cuidou da diagramação do projeto.
Prédios de São Paulo — 10 anos(Editora Brava; 344 págs.; R$ 135,00) será lançado no sábado (24), véspera dos 472 anos de São Paulo, na Casa Refúgios Urbanos, localizada no Sumaré.
Publicado em VEJA São Paulo de 23 de janeiro de 2026, edição nº 2979





