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PIX como presente é falta de afeto? Estudo mostra por que o mimo físico é tão valioso

Pesquisa encomendada pela Natura e realizada pela Consumoteca revela que o tempo gasto e o esforço de escolher um item reforçam vínculos

Por 9 dez 2025, 12h10 •
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Significado do presente: atalho que valida que você parou, pensou e dedicou tempo ao outro (Kira Auf Der Heide/ Unsplash/Reprodução)
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  • Se você pensava em presentear alguém querido com uma transferência de PIX neste Natal, talvez seja melhor repensar. Um novo estudo da Natura em parceria com o Grupo Consumoteca, do antropólogo Michel Alcoforado, aponta que dar dinheiro vivo ou transferência bancária está sendo visto, cada vez mais, como um gesto com pouco esforço e, consequentemente, pouco afeto.

    Batizado de “A Arquitetura do Afeto – O presente e as relações no Brasil”, o levantamento investigou como o brasileiro tem se comportado na hora de presentear e mostra que o presente físico está ressurgindo como o “ativo de vínculo” mais valioso.

    Relações mais seletivas, presentes mais valiosos

    A pesquisa ouviu 1 296 pessoas em cinco regiões do país e traça um panorama de uma sociedade com laços em profunda reorganização. Quase 40% dos entrevistados afirmam que se sentem mais distantes das pessoas, e 34% se veem em relações superficiais.

    Neste cenário de vínculos mais seletivos e intencionais, o ato de presentear com algo palpável ganha uma nova dimensão.

    “As relações não estão esfriando; estão ficando mais seletivas. Hoje, o vínculo é uma escolha que exige dedicação, atenção e esforço contínuo. É aqui que o presente entra: ele é o atalho que valida que você parou, pensou e dedicou tempo ao outro”, explica Michel Alcoforado.

    O esforço — e o investimento financeiro — é direcionado para um núcleo bem específico: parceiros, filhos e pais lideram a lista, exigindo o maior investimento emocional e em mimos. Em média, filhos chegam a receber 7,6 presentes por ano, e parceiros, 6,4.

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    O PIX resolve, mas não simboliza

    Apesar do crescimento das transferências bancárias como presente, chegando a 30% em alguns laços mais próximos, o PIX ainda está longe de ser a escolha dominante. Mesmo nas relações mais íntimas, ele não ultrapassa um terço das ocasiões de presentear.

    O motivo? Para muitos, ele comunica praticidade, mas não dedicação. O PIX resolve, mas não simboliza.

    Nos círculos íntimos: O PIX até funciona, pois o vínculo já está estabelecido.

    Nos laços distantes: O PIX vira um gesto frio, que pode ser facilmente interpretado como ausência de cuidado ou preguiça de pensar em algo que represente a relação.

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    “Você não dá o presente que quer. Você dá o presente que a sua relação te obriga”, afirma o antropólogo, destacando que nosso investimento revela quais laços realmente queremos proteger.

    Para brincar com o sigla, a Natura estruturou toda a estratégia de Natal a partir desses insights e lança agora o conceito “P.I.X. – Presente com Intenção de Xodó”, para reacender o debate sobre o valor simbólico de presentear em um país que entende o afeto como presença.

    Perfume é o item mais presenteável da categoria

    No estudo, o perfume aparece como o presente universal, pela capacidade de equilibrar atenção e reciprocidade ao mesmo tempo e por isso funciona em todos os tipos de vínculos, desde o nosso núcleo central, onde estão filhos, pais e cônjuges, até o mais distante, onde estão vizinhos, conhecidos e amigos “virtuais”.

     

    Datas comemorativas voltam à moda

    O estudo também notou que, especialmente entre as gerações mais novas, as relações não se sustentam sozinhas. Por isso, as datas comemorativas, como aniversários e Natal, voltaram a ganhar valor.

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    Elas funcionam como “marcos coletivos” que autorizam a pausa na rotina corrida e reabrem a porta do vínculo, legitimando o cuidado que, no dia a dia, fica soterrado.

     

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