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As obras de Lalique

Símbolo do art noveau, a centenária cristaleira francesa retorna às origens ao lançar uma coleção de joias únicas — de cair o queixo

Por Silvano Mendes, de Paris 11 ago 2012, 01h00 • Atualizado em 5 dez 2016, 16h58
Colar Vesta Lalique
Colar Vesta Lalique (Divulgação/)
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  • Ao anunciar, em março, que produziria uma coleção de alta joalheria, a Lalique provocou reações desdenhosas. Concorrentes julgaram tratar-se de jogada de marketing de uma das mais famosas cristalerias francesas tentando expandir os horizontes de negócios — a Lalique hoje é sinônimo de bibelôs e objetos de decoração. O que muita gente desconhecia é que, com a decisão, a empresa voltava às raízes. Fundada por René Lalique, em 1885, a maison foi um dos principais nomes no universo das joias na virada do século XIX para o XX. Símbolo do estilo art nouveau, o “joalheiro-poeta”, como era chamado pelos contemporâneos, enfeitou as grandes figuras de seu tempo com borboletas, pássaros e libélulas preciosas. As peças fizeram sucesso entre mulheres célebres da belle époque, como a atriz Sarah Bernhardt. “René era usado pelas mulheres mais fortes e ousadas da época, que buscavam, com as peças, destoar das esposas de seus amantes”, diz o designer Quentin Obadia, egresso da Boucheron.

    Por um ano, Obadia mergulhou nos milhares de desenhos e nas peças emblemáticas do fundador. O resultado chega daqui a um mês à loja da Rue Royale, em Paris, reformada para receber a primeira coleção, Odisseia do Fogo Sagrado. A ideia é lançar, uma vez por ano, algumas dezenas de peças de alta joalheria, fabricadas pelos artesãos da Praça Vendôme. “Minha intenção não é reeditar o passado, mas explorar aspectos do estilo René Lalique, como recorrer à figura feminina.” É o caso da mulher-pássaro do impressionante colar Vesta. Avaliada em 500 000 euros, é uma das peças únicas da coleção que se inspira — nada mais justo — na figura da Fênix renascendo das cinzas. O designer ressuscita também outra marca registrada da casa: a mistura do cristal com pedras preciosas, revolucionária um século atrás. Paralelamente, a empresa esforça-se para criar um verdadeiro universo de lifestyle com sua atividade de cristaleria. “É possível decorar uma casa inteira com nosso objetos”, orgulha-se o suíço Silvio Denz, que comprou a Lalique em 2008. A estratégia vai até a garagem dos mais exigentes, com o projeto de um carro que tem acabamentos feitos pela cristaleria. É o que a poderosa Bentley pretende lançar, em série limitada, ainda neste ano.

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