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Grife paulistana é acusada de produzir roupas com mão de obra escrava

Marca que tem lojas em shoppings de luxo da cidade cobra mais de 900 reais por vestido; os costureiros recebiam 3 reais por peça

Por Barbara Öberg Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 21 dez 2018, 11h07 - Publicado em 20 dez 2018, 15h52

Popular entre blogueiras e presente em dois shopping de luxo da cidade, o JK Iguatemi e o Cidade Jardim, a grife Amissima foi acusada de usar o serviço de duas oficinas de costura em São Paulo que contam com trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.

Revelada pelo portal The Intercept Brasil, a investigação dos auditores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, que aconteceu entre 6 de novembro e 13 de dezembro, descobriu que pelo menos duas das 25 oficinas que produzem para marca possuem condições precárias de trabalho. No total, nos dois endereços, um no Belenzinho e o outro na Luz, foram encontrados catorze trabalhadores, todos imigrantes de nacionalidade boliviana.

De acordo com o relatório de fiscalização do Ministério do Trabalho, os pontos de produção das peças ficam em imóveis com ambiente abafado e inseguro. As oficinas são contratadas diretamente pela Amissima, sem intermediários, e também servem como casa para as famílias que trabalham lá. Em um dos espaços, sete máquinas de costura ficam sob uma lona e um teto de isopor.

“Nas oficinas de costura inspecionadas, é possível afirmar que as condições de segurança e saúde são de extrema precariedade, tanto nos locais de trabalho, como nos locais de moradia”, diz o relatório.

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Por ali, o turno costuma ser das 8h às 22h, com intervalos rápidos para refeição, e pagamento de acordo com produtividade e qualidade nas entregas. O salário do funcionário dá mais ou menos 900 reais por mês – o teto da categoria é 1 450,02 reais.

Dormitório dos trabalhadores: não existe separação entre o local de trabalho e a área de vivência (Ministério do Trabalho/Veja SP)

Por causa da intensidade da jornada, muitas famílias sofrem com dores musculares. O pagamento é feito por um sistema de divisão, chamado de “um terço”Ou seja, um terço do valor da peça pago pela Amissima fica com os trabalhadores e o resto vai para cobrir custos da casa. O que sobra fica com o dono da oficina, uma espécie de intermediário nas negociações com a etiqueta.

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Isso quer dizer que dos 9 reais por peça que a Amissima paga para a oficina, apenas 3 vão para o costureiro. Os vestidos da marca podem custar mais de 900 reais e são usados frequentemente por blogueiras, como Thássia Naves.

Uma das salas de costura da oficina (Ministério do Trabalho/Veja SP)

Em nota, a marca reconhece ter falhado em não fiscalizar com o máximo rigor sua cadeia produtiva e lamenta profundamente o ocorrido. Também garante que arcou imediatamente com as indenizações morais e trabalhistas das pessoas envolvidas.

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