Avatar do usuário logado
Usuário

A Cidade Bárbara

Ofuscada pelas vizinhas Estocolmo, Helsinque e Copenhague e distante da rota turística clássica, Oslo —a capital da noruega — proporciona uma experiência viking autêntica a quem se integra a sua rotina

Por Renata Junqueira Barros, de Oslo 11 ago 2012, 01h00 | Atualizado em 1 jun 2017, 18h10
ópera nacional
ópera nacional (Birdseyepix/)
Continua após publicidade
A Cidade Bárbara Priorizar nos meus resultados Google

Oslo não tem muitos pontos turísticos. Basta um dia para cumprir o roteiro básico. O parque de esculturas de Gustav Vigeland atrai hordas todos os anos. Dali para o Viking Ship Museum são vinte minutos: o museu abriga navios dos bárbaros, descobertos no século XIX em escavações próximas à cidade. O dia termina com o pôr do sol visto do terraço da Ópera Nacional, obra de 2008 do escritório local Snøhetta — autor do memorial de 11 de setembro em Nova York. Do alto desse iceberg de concreto, avista-se o fiorde, o golfo entre as montanhas por onde o Mar do Norte banha Oslo. Nesse ponto, a maioria dos visitantes zarpa para o litoral. Mas quem decide observar o movimento ao redor do teatro nota que vale ancorar no território e se mesclar à cadência dos habitantes. Numa onda similar ao impacto do Guggenheim em Bilbao, na Espanha, da Ópera irradia uma efervescência. Instituições culturais, cafés e parques pipocam na região. “Vivemos um período de mudanças, financiadas pelo petróleo”, diz Erlend Haffner, sócio do escritório de arquitetura Fantastic Norway. A Noruega é o quinto maior exportador do combustível. Os operários do óleo recebem 20 000 reais por mês, o dobro da média salarial do país. “Essa riqueza preserva a qualidade de vida e o ritmo calmo. É por isso que aqui é um dos melhores lugares para morar, divertir-se e criar os filhos.”

Quando confrontada com Estocolmo (a chamada Veneza do Norte), Copenhague (código postal do melhor restaurante do mundo, o Noma) e Helsinque (terra do design), Oslo é a capital escandinava menos cosmopolita. Registra 3,7 milhões de diárias por ano (75% do check-in nos hotéis é feito por noruegueses) — uma gota no oceano turístico se comparada a Paris, com 40 milhões de diárias anuais. Oslo é também mais cara: uma xícara de café custa 10 reais. A bebida é um bom jeito de começar o mergulho na cultura local. Com cerca de 600 000 habitantes, a cidade tem uma população equivalente a de um município como Uberlândia, no interior de Minas Gerais. Estima-se que cada um dos moradores beba 1 200 xícaras por ano, acompanhadas de pão seco com camadas de geleia e brunost, o queijo de cabra marrom criado por uma camponesa de Gudbrandsdalen, nos arredores da capital, em 1880, e peculiar até para os vizinhos do Norte. Por mais que o desjejum do estrelado e centenário Grand Hotel seja tentador, vale reproduzir o hábito de se encontrar cedinho nos cafés e padarias. O pioneiro é o Java, na região do Parque St. Hanshaugen. O estabelecimento é vizinho da mercearia Gutta på Haugen, reduto dos gourmets, e da confeitaria Pascal, que serve tortas apetitosas. No agitado bairro de Grünerløkka, o premiado barista Tim Weldelboe prepara doses de grãos selecionados em diferentes países. O Café Fuglen é o cenário perfeito para degustar cafés e o akvavit, licor de batata típico: móveis assinados por estrelas escandinavas dos anos 50 e 60 (do ilustre Arne Jacobsen aos menos conhecidos) decoram o espaço e estão à venda. Nos endereços da Åpent Bakeri, padaria louvada por dez entre dez locais, os destaques são os mais de quinze tipos de pão. Num dia ensolarado, prepare-se para disputar vaga com os carrinhos de bebê. A licença-maternidade norueguesa dura um ano, e o estabelecimento é um reduto de pais exibindo orgulhosamente seus filhotes. Refeições respeitáveis também fazem parte do cardápio da cidade. Dos sócios Esben Bang e Pontus Dahlstrøm, o Maaemo lidera a lista: é o único restaurante nórdico que recebeu, depois de quinze meses de funcionamento, duas estrelas no guia Michelin. Ali, o conceito de produtos locais é levado à risca: ingredientes e temperos são colhidos pela equipe nos bosques que circundam a cidade, acessíveis até de metrô. Aberto há menos de um ano, o Onda, o mais caro da cidade, fica à beira-mar e não aceita acomodar mais de quatro clientes em uma mesa. No verão, quando o sol se põe às 23 horas, o melhor é reservar um lugar no Grefsenkollen, que oferece uma vista panorâmica e um resumo do melhor de Oslo: dele se avistam das casinhas coloridas de madeira aos prédios de arquitetura industrial, do museu de tecnologia à enorme quantidade de cogumelos cantarelle blueberries selvagens, que levam noruegueses à caça durante os meses de outono.

arquitetura oslo
arquitetura oslo ()

Com temperatura negativa em grande parte do ano e a luz do dia que dura apenas seis horas no inverno, os nativos aproveitam ao máximo a estação mais quente. Em julho, a cidade inteira decreta férias, e muitos comerciantes fecham as portas. Em agosto, quando o termômetro marca até 25 graus, é nos mais de cinquenta parques e inúmeras praias urbanas que as pessoas se reúnem no fim do expediente, às 16 horas. Mercados de pulgas são a atração dessa época, e as exposições do Centro de Design e Arquitetura (DogA) são concorridas nos dias frios. À noite, bares e casas de show garantem a média de 5 000 apresentações anuais, da ópera ao black metal nacional. Nos domingos, performances e espetáculos de música experimental ocupam o lado de fora do Henie Onstad, a trinta minutos de carro do centro. O Museu de Arte Contemporânea é um dos ícones da arquitetura no país. Também aos domingos abre um dos tesouros mais escondidos da capital: o ateliê de Emanuel Vigeland, irmão do escultor Gustav. Emanuel pensou em transformar o espaço num museu, mas decidiu fazerdele seu mausoléu. São 800 metros quadrados cobertos por um afresco. Não se pode subestimar a programação de outono na cidade. A Exposição Nacional de Outono, que ocupa o prédio da Casa dos Artistas desde 1930, apresenta os melhores trabalhosde artistas contemporâneos desde 1882. Sem pré-requisitos para a inscrição, a mostra é uma das mais democráticas e uma boa oportunidade de revelar talentos. Foi ali que um quadro de Edvard Munch, cultuado pela tela O Grito, foi comprado, em 1891, por apenas 200 coroas (cerca de 60 reais). Com tanta vida “lá fora”, a melhor maneira de se locomover por essa pequena cidade é a caminhada. Além de evitar o trânsito (o horário de pico vai das 15h30 às 16h30), não existe ocasião melhor para espiar os noruegueses sorrindo sozinhos pelas calçadas,comprando frutas silvestres ou jogando conversafora num café. Tempo é o maior luxo que Oslo pode oferecer a seus habitantes — ou aos que apenas passam alguns dias ali.

Continua após a publicidade

Grand Hotel. Centenário, é o favorito dos viajantes com título de nobreza e vencedores do Prêmio Nobel, que ocorre na cidade desde 1901. Karl Johans Gate 31, grand.no. Diárias de verão a partir de 480 reais

Grims Grenka. Decoração minimalista, night club e um bar no terraço para ver a cidade. Kongens Gate 5, firsthotels.com. Diárias de verão a partir de 450 reais

Air France. Voos diários, com escala em Paris, a partir de 2 240 reais

Continua após a publicidade

TAM. Voos diários, em parceria com a Lufthansa, via Frankfurt, a partir de 2 330 reais

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês