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Titãs estreiam turnê de ‘Cabeça Dinossauro’: “Foi um grito de liberdade”

Branco Mello, Tony Bellotto e Sérgio Britto celebram os quarenta anos do disco icônico do rock brasileiro

Por Tomás Novaes
20 mar 2026, 08h00 •
Branco Mello, Tony Bellotto e Sérgio Britto: os Titãs
Branco Mello, Tony Bellotto e Sérgio Britto: os Titãs (Pedro Dimitrow/Divulgação)
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  • Pilar central do rock brasileiro, há quatro décadas chegava aos ouvidos do público o disco Cabeça Dinossauro (1986), dos Titãs, cujos riffs e refrões soam atuais. Transgressor e contemporâneo, o repertório será tocado na íntegra na nova turnê da banda, com estreia no sábado (28), no Espaço Unimed.

    Eram dezesseis mãos na criação. Fora o trio restante, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto, ainda formavam o supergrupo Arnaldo Antunes, Charles Gavin, Marcelo Fromer (1961-2001), Nando Reis e Paulo Miklos. Além de músicas como Igreja, Família, Homem Primata e Bichos Escrotos, o show trará faixas mais pesadas de outros trabalhos, como Titanomaquia (1993) e Nheengatu (2014).

    A turnê, com realização da 30e, conta com direção de Otávio Juliano e luz de Guilherme Bonfanti. “O cenário é inspirado em uma atmosfera noir, mais dark”, detalha Britto, 66. As guitarras de Beto Lee e Alexandre de Orio e a bateria de Mario Fabre completam a banda no palco.

    A força daquele conjunto de músicas estava na conexão direta com o momento do país. Era o início do processo de redemocratização, após a ditadura militar que vigorou por 21 anos. “Foi um grito de liberdade muito pessoal, com uma identidade forte que vínhamos buscando havia algum tempo. Ali encontramos a nossa veia mais poderosa”, afirma Branco, 64.

    Entre o lançamento de Televisão (1985) e Cabeça Dinossauro, Tony Bellotto e Arnaldo Antunes foram presos, o primeiro por porte de heroína e o segundo por porte e também uma acusação de tráfico da mesma substância. “Havia alguns resquícios da ditadura. Bichos Escrotos foi censurada nas rádios. E estávamos vindo dessa prisão, que nos deu um choque de realidade. Vários shows foram cancelados”, relembra Bellotto, 65.

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    Os temas abordados nas letras, como a violência policial em Polícia, continuam relevantes. “Tratamos dos assuntos não de forma panfletária, porque levantamos mais problemas do que soluções. É um disco que questiona muito, sem saber a saída. E o que temos vivido nos últimos anos, no Brasil e no mundo, torna tudo mais interessante”, completa Britto. “Em alguns aspectos, o disco é quase profético. Como a música Igreja. A mistura da religião com o poder no mundo está muito pior hoje, com as teocracias e os movimentos de extrema direita que usam a doutrinação religiosa”, comenta Tony.

    Na turnê, o trio quer mergulhar no lado mais agressivo da sua discografia. “Nesta altura da vida, todos sessentões, com o rock fora de destaque na mídia, é legal afirmar esse som e atitude”, diz Tony. O guitarrista está de volta aos palcos após a retirada de um tumor no pâncreas, em 2025. “Esse projeto exige vigor físico e isso me ajuda muito na recuperação. Tenho malhado, ensaiado sozinho, vou cantar músicas que nunca cantei”, conta ele, que se ancorou no exemplo do parceiro de banda. “O tempo todo me inspirei no Branco, que passou por uma situação difícil e se recuperou. Ele sempre foi uma referência”, diz.

    O cantor enfrentou tumores na faringe e, mais recentemente, na amígdala. “Somos ‘titãs’, né, Tony”, respondeu Branco. Quarenta anos depois, eles seguem com a chama barulhenta do rock acesa. ■

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    Espaço Unimed. Rua Tagipuru, 795, Barra Funda. Acess. Sáb. (28), 21h. R$ 255,00 a R$ 365,00. 16 anos. eventim.com.br.

    Publicado em VEJA São Paulo de 20 de março de 2026, edição nº 2987

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