Avatar do usuário logado
Usuário
Imagem Blog

Tudo de Som

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Novidades da música, clipes, entrevistas, artistas, listas e shows, por Tomás Novaes.

Evandro Mesquita e os anos 80: “Negar a importância da Blitz é escroto”

A banda carioca faz show no festival C6 no Rock, em São Paulo, que reúne a geração pioneira do rock nacional em shows de discos marcantes na íntegra

Por Tomás Novaes 20 ago 2026, 15h07 | Atualizado em 20 ago 2026, 15h08
Homem de meia-idade, cabelos grisalhos e óculos escuros, sorri com a boca aberta e aponta para frente com a mão esquerda, enquanto a mão direita está em primeiro plano, desfocada, com a palma aberta. Ele veste uma jaqueta jeans escura e uma camisa estampada, em fundo branco
Evandro Mesquita, 74, eterno líder da Blitz: banda abriu os caminhos do rock nacional em 1982 (Lyra Jr./Divulgação)
Continua após publicidade
Evandro Mesquita e os anos 80: “Negar a importância da Blitz é escroto” Priorizar nos meus resultados Google

Um novo festival de música nasce neste sábado (22) e domingo (23) em São Paulo. É o C6 no Rock, segundo fruto da parceria entre o C6 Bank e a Dueto Produções, responsáveis pelo C6 Fest. O evento vai reunir anualmente artistas nacionais, com temas diferentes a cada edição, começando com uma celebração roqueira dos anos 1980.

O diferencial são os shows inéditos: oito atrações vão tocar discos marcantes na íntegra. No primeiro dia, Plebe Rude leva O Concreto Já Rachou (1986); Paulo Ricardo canta Rádio Pirata Ao Vivo (1986); Os Paralamas do Sucesso tocam Selvagem? (1986); e os Titãs revisitam Cabeça Dinossauro (1986).

Marina Lima com o disco 'Fullgás' (1984): show do álbum no Ibirapuera
Marina Lima com o disco ‘Fullgás’ (1984): show do álbum no Ibirapuera (Divulgação/Divulgação)

Na tarde seguinte, Ira! toca Vivendo e Não Aprendendo (1986); Blitz leva As Aventuras da Blitz (1982); Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tocam Dois (1986), da Legião Urbana; e Marina Lima resgata Fullgás (1984). Tributos a Rita Lee (1947-2023) e Cazuza (1958-1990) fecham cada dia.

Continua após a publicidade

Essa escalação fará barulho no Parque Ibirapuera, com bate-papos e feira de vinis. Os shows rolam na área externa do Auditório.

Entrevista com Evandro Mesquita

O que esperar do show no C6 no Rock?

Vamos revisitar na íntegra esse primeiro disco. Com ele arrombamos portas que estavam fechadas nas gravadoras, rádios e TV. Conquistamos disco de ouro, platina e diamante. Era a efervescência do underground.

Continua após a publicidade
Três cantores, duas mulheres e um homem, se apresentam em um palco com iluminação azul. O homem ao centro usa óculos escuros e camisa colorida, cantando com os braços abertos. À esquerda, uma mulher de blusa estampada e saia preta canta no microfone. À direita, outra mulher de cabelo cacheado e vestido escuro canta com a mão aberta. Ao fundo, uma bateria com pratos dourados e tambores marrons.
Nicole Cyrne, Evandro e Andréa Coutinho: a Blitz atual ainda conta com Billy Forghieri, Juba, Sara Rosemback, Guilherme Schwab e Mafram do Maracanã (Divulgação/Divulgação)

Quais eram as referências da banda?

As histórias em quadrinhos, os poetas marginais… Foi uma salada de frutas nessa receita sonora com arte. Colocamos as backing vocals na frente, com diálogos nas músicas. Todo esse universo furou a ditadura, com um papo para a nossa geração. E tivemos duas faixas censuradas.

Continua após a publicidade

Como era um dia livre de Evandro Mesquita nos anos 70?

Acordar no Leblon e ir pela praia até o Arpoador, era muito bom. Eu ia cantando, fazendo música. Íamos até Santos fazer tatuagem. No primeiro disco eu brincava: “Vocês ouvirão um som que abalará toda uma geração”, mas pensava que ia cantar para aquelas trinta pessoas da praia. E acabou sendo uma profecia.

Banda musical se apresentando em palco ao ar livre para grande público. Cinco pessoas no palco, uma mulher canta, outra toca violão, e três homens tocam instrumentos. Fios e equipamentos de som espalhados pelo chão. Ao fundo, árvores e uma multidão assistindo.
Show em 1982 no Parque Ibirapuera: de volta a São Paulo (Luizinho Coruja/Acervo Dedoc)
Continua após a publicidade

E como aproveita um dia de lazer hoje?

Continuo indo à praia. Adoro dar um mergulho. O futebol era minha cachaça, depois fui para o futevôlei, mas comecei a sentir o joelho. Hoje descobri o futegolfe. E adoro ficar em casa. Estou escrevendo um roteiro sobre a história da Blitz com o LG Bayão.

Quais são os próximos planos da Blitz?

Gravamos cinco discos na pandemia. Tem dois para sair, o Blitz Hits, com releituras dos sucessos, e outro com músicas do lado B.

Multidão em show musical, com palco iluminado em vermelho e banda tocando. Pessoas de pé na plateia, algumas sentadas no chão, e outras em arquibancadas ao fundo.
Show da Blitz no Circo Voador, em 1982: casa lotada (Ricardo Chaves/Acervo Dedoc)
Continua após a publicidade

Vocês sentiam que, pela veia pop da banda, não eram levados tão a sério?

O discurso da Blitz era quase o mesmo, mas não tão óbvio. O Cazuza é o maior poeta da minha geração, e acho que a Blitz está nesse nível. Não é porque você não diz “abaixo a ditadura!” que não é contra o sistema. As conquistas da Blitz foram importantes, foi um pé na porta fundamental. E não viemos todos de preto, viemos coloridos como a nossa música, a nossa praia, o vento no nosso coqueiro. Nosso papel foi muito forte, negar isso é escroto.

Com o estouro da Blitz nos anos 80, como manteve os pés no chão?

Era um sonho. Viajar com a minha banda, tocar em estádio, o Rock in Rio. Tudo isso gerou uma usina de energia que nos alimentava. Mas, depois, a primeira formação caiu em armadilhas de egos e ciúmes, o que fechou um ciclo que podia continuar muito mais.

Seis jovens, cinco homens e uma mulher, posam sorrindo em fila, com o homem da frente de óculos escuros e jaqueta marrom, braços abertos. Eles vestem calças jeans coloridas e tênis, em um ambiente externo com paredes claras e janelas azuis ao fundo
A trupe completa, em 1982: marco zero do rock nacional (Fernando Pimental/Acervo Dedoc)

Parece que você não envelhece. É verdade?

O meu joelho não diz o mesmo (risos). É sobre trabalhar com prazer e seguir algumas orientações. Meu pai era vegetariano, fazia judô, ioga, nos obrigava a comer arroz integral. Sempre tivemos uma vida ligada à natureza. Cursei educação física, não me formei, mas ganhava meia bolsa jogando bola. Estou com as minhas dores aqui, mas, enquanto houver bambu, tem flecha. ■

Parque Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº. Acess. Sáb. (22) e dom. (23), 13h. R$ 360,00 a R$ 648,00. 16 anos. eventim.com.br.

Publicado em VEJA São Paulo de 21 de agosto de 2026, edição nº 3010

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 29,90/mês