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O polêmico curta Poliamor e uma entrevista com seu diretor

O cineasta José Agripino é paraibano e mora em São Paulo. Entre 2010 e 2012, levou seu filme Poliamor a vários festivais, incluindo o de Curtas-Metragens de São Paulo e o Mix Brasil. Nunca tinha ouvido falar de seu trabalho, até que, por acaso, encontrei Poliarmor no “santo” YouTube. Fiquei empolgado com o que vi. Um […]

Por Miguel Barbieri Jr. Atualizado em 27 fev 2017, 00h21 - Publicado em 5 set 2013, 14h41

O cineasta José Agripino é paraibano e mora em São Paulo. Entre 2010 e 2012, levou seu filme Poliamor a vários festivais, incluindo o de Curtas-Metragens de São Paulo e o Mix Brasil. Nunca tinha ouvido falar de seu trabalho, até que, por acaso, encontrei Poliarmor no “santo” YouTube. Fiquei empolgado com o que vi. Um tema-tabu, sobre homens ou mulheres que amam mais de uma pessoa ao mesmo tempo, tratado com bom gosto, sinceridade e sem panfletagem. O curta tem 14 minutos e recomendo que você o veja, logo abaixo. Fiquei interessado em saber como Agripino encontrou personagens que falam abertamente de suas relações afetivas. Não foi difícil encontrar o diretor, que me concedeu a entrevista abaixo.

Cena do curta-metragem Poliamor: relacionamento a três

Como você descolou os personagens? Foi por meio do Orkut. A pesquisa do filme começou em 2009 e existia uma comunidade chamada Poliamor Brasil. Foi a partir dela que começou a pesquisa sobre o assunto e os personagens. Os primeiros contatos foram feitos pelo Orkut e por um grupo no Ning (uma rede social onde os usuários criavam comunidades sobre assuntos diferentes). Depois disso, marcávamos um encontro com as pessoas pra explicar o projeto.

Qual foi sua intenção ao colocar na roda um assunto tão tabu? Estava na faculdade e precisava propor um projeto de documentário. Ouvi falar de poliamor e fiquei curioso. Havia muita gente falando de seus anseios por viver uma relação afetiva com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Várias histórias de pessoas buscando a expressão de suas afetividades poliamorosas. Achei que havia um assunto emergente, que precisava ser colocado em pauta e debatido.

Você conseguiu mais personagens, mas que não quiseram aparecer no filme? Sim. Foi bom ouvir essas outras pessoas e poder aprender um pouco mais sobre a vivência de um relacionamento diferente dos padrões usuais de nossa sociedade.

Acha que existem muitos homens e mulheres que são apaixonados por mais de uma pessoa, mas não têm coragem de assumir? Tenho certeza que sim. Na nossa sociedade, aparentemente todo mundo é hétero. Até o dia que percebe que não. O mesmo acontece com o poliamor. As pessoas vão seguindo o fluxo até que, um dia, se percebem diferentes. E precisam enfrentar seus preconceitos e o dos outros para se assumirem “diferentes”.

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Uma das entrevistadas de Poliamor: relação com dois homens em casas separadas

O que é poliarmor para você? É uma abertura para a possibilidade de viver mais de uma relação afetiva ao mesmo tempo. Se você já ama uma pessoa, não precisa se fechar para o mundo. Outras pessoas especiais podem cruzar o seu caminho.
No filme, há triângulos amorosos. Você encontrou pessoas que vivem uma paixão a quatro, a cinco…? Sim , encontrei relacionamentos com mais de três pessoas, mas elas não quiseram aparecer no filme.

Você já fez outros curtas de temática igualmente polêmica? Fiz Leve-me pra Sair, que mostra um grupo de adolescentes gays de São Paulo. O curta é uma realização de um coletivo que faço parte, chamado Lumika, dedicado às produções de conteúdos sobre diversidade sexual para o público jovem. Infelizmente, o assunto ainda é polêmico. Mas buscamos um tratamento que aproxime os espectadores dos personagens. Em breve, vamos lançar uma webserie de ficção, que foi dirigida por outros integrantes do coletivo.

Assista aqui ao curta-metragem Poliamor

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=H3SbBZNotuc?feature=oembed&w=500&h=281%5D

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