Felipe Morozini abre as portas do apartamento em São Paulo
Em novo livro, artista reúne 25 anos de festas, encontros e artes vividos em cobertura no centro da cidade
Da janela de Felipe Morozini muito se vê e se vive. O mesmo vale para seu apartamento, que já viu festas com 100 pessoas (em um espaço de 200 metros quadrados) e guarda histórias em cada um dos itens que decoram os cômodos — dos macaquinhos em vários formatos ao Julius, cachorro Dálmata de porcelana que o acompanha há dezoito anos.
“A sabedoria chinesa fala que temos que ter pequenas coisas admiráveis em casa e descobri que essas miniaturas são coisa de geminiano”, diz. O clima festeiro também condiz com o signo. “Mas agora em volume menor, dez pessoas é o meu máximo”, diverte-se.
Nascido no Tatuapé, Felipe ocupa o endereço herdado da bisavó há 25 anos, no último andar de um prédio na São João. Incenso aceso o dia todo e doze horas de passarinhos cantando no YouTube são alguns dos toques de serenidade lá dentro. “Quando chega o fim do dia, coloco grilos e sapos.”
Outro porto seguro é o antigo estúdio que virou estufa com plantas passeando pelas paredes, até o teto. “Na pandemia, percebi que algum lugar aqui ia me salvar.”
Das 200 000 fotografias guardadas em seu arquivo, pelo menos 30 000 delas foram feitas no apartamento: registros da cantora Letrux, freiras caminhando pelo Minhocão e um ensaio de Gianecchini lavando louça de cueca estão na exaustiva seleção final para o primeiro livro do artista, Aqui Não Tem Silêncio (Afluente, 330 reais).
Com lançamento neste sábado (6) na Biblioteca Mário de Andrade, a obra mistura essas imagens com algumas das frases icônicas que todo dia capturam a atenção de quem passa por uma das empenas assinadas por Morozini na cidade, como a famosa “eu sabia que você existia”.
“Mais de 100 pessoas pediram alguém em casamento na frente do prédio”, conta. “E já fiz um pedido de casamento aqui de uma mulher que começou a namorar uma fã minha. Coloquei cheirinhos, a música delas. Com a aliança no bico de um passarinho, as duas foram juntas para a sala das plantas.”
Publicado em VEJA São Paulo de 5 de dezembro de 2025, edição nº 2973.





