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Em Terapia

Por Arnaldo Cheixas
Terapeuta analítico-comportamental e mestre em Neurociências e Comportamento pela USP, Cheixas propõe usar a psicologia na abordagem de temas relevantes sobre a vida na metrópole.
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Burnout: a OMS não disse que é doença, mas a condição é grave

Saiba mais sobre o problema que tem entre os sintomas o sentimento de exaustão em relação ao trabalho

Por Arnaldo Cheixas
Atualizado em 24 jun 2019, 18h55 - Publicado em 24 jun 2019, 18h53

A mídia tem veiculado a notícia de que a Organização Mundial de Saúde (OMS) teria classificado a síndrome de burnout como doença na atualização mais recente (11ª) da Classificação Internacional de Doenças (CID), que será implementada aos poucos até 2022. A informação não é correta. Do ponto de vista da importância epidemiológica e do estabelecimento de guias de conduta, burnout tem sim status equivalente ao de doença, podendo inclusive determinar o afastamento do trabalho por atestado médico. Mas há aqui um problema de terminologia.

Burnout na verdade é uma síndrome e não uma doença. Para que uma condição seja classificada como doença, é necessário que três critérios sejam satisfeitos: identificação inequívoca da causa, sintomatologia específica e identificação de alterações específicas no organismo. A ausência de qualquer um desses três critérios automaticamente impossibilita a inclusão de uma condição de saúde no rol de doenças oficiais.

Mas isso não significa que aquela condição não mereça atenção. De acordo com a OMS (por meio da CID-11), “burnout é uma síndrome conceituada como resultante do stress crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. É caracterizada por três dimensões: sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia; aumento do distanciamento mental do próprio trabalho ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho; e redução da eficácia profissional.”

Essa definição já aparecia na CID-10, ou seja, a OMS já tratava com bastante atenção e importância a síndrome de burnout. O que está mudando em relação à síndrome de burnout da CID-10 para a CID-11 é a inclusão de uma definição mais precisa e o deslocamento da síndrome do capítulo 21 da CID-10 (sob o código Z73) para o capítulo 24 da CID-11 (agora sob o código QD85).

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O capítulo 24 passa a agrupar os “fatores que influenciam o estado de saúde ou o contato com serviços de saúde“. Aqui estão exatamente aqueles quadros que, embora não possam ser classificados como doença, necessitam de tratamento e cuidado por terem o potencial de incapacitar e gerar sofrimento para as pessoas. Aproximadamente um terço dos trabalhadores formais brasileiros sofrem com a síndrome de burnout. Para saber mais sobre ela, leia este artigo.

Sugestão de leitura:

  • A ex-publicitária Roberta Carusi relata toda a sua experiência com o burnout no livro No Limite do Stress: Tudo o que Aprendi com meu Burnout e o que Pode Ser Útil para Você. Você pode entrar em contato com a autora pelo YouTube, pelo Instagram @diariodoburnout ou pelo e-mail diariodoburnout@gmail.com.

Referência bibliográfica: Classificação Internacional de Doenças (CID-11).

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