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Em Terapia Por Arnaldo Cheixas Terapeuta analítico-comportamental e mestre em Neurociências e Comportamento pela USP, Cheixas propõe usar a psicologia na abordagem de temas relevantes sobre a vida na metrópole.

A infidelidade financeira também pode acabar com a relação

Ela pode ser tão complicada quanto a traição sexual

Por Arnaldo Cheixas Atualizado em 7 jun 2019, 12h53 - Publicado em 5 ago 2015, 14h49

Segundo levantamento da Serasa Experian, apenas 3% dos consumidores afirmam ser financeiramente transparentes com seus parceiros. Este dado vem ao encontro do que percebo a partir dos relatos dos pacientes em terapia. É raro conhecer um casal que trate de forma aberta e saudável da dimensão financeira na vida conjugal.

Mesmo quem se organiza bem quanto aos gastos individuais deve saber que, para que tudo continue caminhando satisfatoriamente também na relação conjugal, é importante que haja honestidade e transparência mútuas.

Já ouvi de várias pessoas que “quem cuida das finanças é o outro” ou “eu confio em tudo o que ele(a) propõe”. Embora seja bacana poder confiar no(a) parceiro(a), as questões financeiras se mostram um tema que depende necessariamente de diálogo e franqueza. Porque não se trata apenas de confiar ou não. As decisões financeiras afetam diretamente a relação do casal e também da família como um todo.

Há quem diga que dinheiro não é a coisa mais importante na vida – e por isso não conversa a respeito com o cônjuge. É verdade, mas justamente por isso, é essencial que haja transparência para que aquilo que realmente importa na vida de um casal não seja atrapalhado por questões financeiras. Assim, os objetivos financeiros dos dois devem estar em harmonia com as metas de vida.


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Um exemplo de como um aspecto simples não discutido no começo da relação pode atrapalhar no futuro. A forma mais desejável de se dividir as responsabilidades sobre as despesas de um casal (ou de uma família) é pela proporcionalidade de receitas. Mas poucos atentam para isso. Se, num determinado casal, o elemento A ganha 60% da renda do casal (ou da família) e o elemento B ganha 40%, significa que 60% das despesas deverão ser pagos por A e 40% por B.

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Dividir em partes iguais parece o mais justo, mas esse é o tipo de divisão que se faz numa república. Vida familiar é outra coisa porque está baseada na união. Sem conversar, como se chega a este formato? Impossível. Com o passar do tempo, qualquer um dos dois poderá sentir-se injustiçado em determinadas situações, ou por achar que paga coisas demais para o outro ou que não tem liberdade para escolher. A infidelidade financeira é tão difícil quanto a sexual. Só o diálogo honesto e franco pode evitar os problemas financeiros para a família.

Dica para quem namora:

1) Conversar frequentemente a fim de conhecer a visão do(a) parceiro(a) sobre finanças. Isso ajuda a evitar surpresas quando o vínculo se aprofunda num relacionamento estável.

Dicas para os casados:

1) Sempre guardar parte da renda para os objetivos financeiros da família.

2) Definir em conjunto a lista de despesas da família e o salário de cada um.

3) Conversar regularmente para ajustar os itens 1 e 2.

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