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Teatro - Por Fabio Codeço

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Thiago Lacerda e um Hamlet direto da fonte

Montar um clássico é sempre um desafio. Tratando-se de “Hamlet”, mostra-se uma prova de coragem por ser, no mínimo, uma das peças mais vistas do mundo. Produtores, diretores e elenco correm atrás de uma linguagem diferenciada, abordagens criativas e interpretações capazes de superar versões bem-sucedidas do mesmo texto. O resultado pode ser muito irregular. De […]

Por Dirceu Alves Jr. 1 nov 2012, 12h57 | Atualizado em 27 fev 2017, 11h55
HAMLET 1 – DNG
Photo: Joao Caldas Fº/5D II (/)
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Thiago Lacerda surpreende com enérgica criação do personagem de Shakespeare (Fotos: João Caldas)

Montar um clássico é sempre um desafio. Tratando-se de “Hamlet”, mostra-se uma prova de coragem por ser, no mínimo, uma das peças mais vistas do mundo. Produtores, diretores e elenco correm atrás de uma linguagem diferenciada, abordagens criativas e interpretações capazes de superar versões bem-sucedidas do mesmo texto. O resultado pode ser muito irregular. De volta aos palcos paulistanos, a tragédia escrita por William Shakespeare (1554-1616) na virada do século XVII tem encenação comandada por Ron Daniels, diretor brasileiro que tem raízes entre Inglaterra e Estados Unidos há três décadas e especialista na obra do bardo.

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Protagonizada por Thiago Lacerda, a montagem em cartaz no Tuca apresenta um surpreendente respeito à obra-prima. A conhecida trama do atormentado príncipe dinamarquês surge lá, muito bem contada. O velho rei (interpretado por Antonio Petrin) acaba de morrer, e seu filho não é o sucessor ao trono. O poder fica nas mãos do irmão do monarca (papel de Eduardo Semerjian), com quem a rainha viúva (a atriz Selma Egrei) logo se casa. Assim, o protagonista se encarrega de vingar a morte do pai para recuperar a coroa e abdica do amor de Ofélia (a atriz Anna Guilhermina).

O diferencial do espetáculo surge justamente de uma transposição fiel da trama – dentro do possível mais de cinco séculos depois – em uma estrutura de teatro clássico, mas que dialoga perfeitamente com o público e faz transparecer a plena atualidade da história.

Uma das maiores contribuições para esse sucesso é a tradução assinada por Marcos Daud e Ron Daniels. Os personagens conversam de forma natural e próxima do coloquial, ou seja, como esse texto seria realmente dito no século XXI. Essa opção, aliada aos figurinos casuais, já torna contemporânea a história, eliminando a necessidade de recorrer a recursos cênicos nem sempre compatíveis ao universo do autor.

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A energia com que Thiago Lacerda (sim, ele dá conta do recado) entrega-se ao personagem também colabora para a conquista da plateia. Irregular na TV, o ator tido galã sobressai na ousada investida teatral e cria um Hamlet que transita entre a fragilidade, revolta e loucura com tranquilidade ímpar. Lacerda comprova mais uma vez – já havia sido assim em “Calígula”, comandado por Gabriel Villela – que diante de uma direção segura o seu rendimento atinge um bom nível.

Eduardo Semerjian reforça a faceta maquiavélica do Rei Claudio , enquanto Selma Egrei propõe um jogo sensual, inclusive em relação ao filho, muito adequado ao contexto. Menos interessante no elenco central é Anna Guilhermina. Sem reforçar os dilemas de Ofélia, a mocinha surge menos fortalecida no contexto. Nada, no entanto, abala o equilíbrio do elenco, em que ainda se destacam Roney Facchini, Marcos Suchara e Rafael Losso, e principalmente o de Lacerda diante dos seus colegas. Ron Daniels preocupou-se em criar um espetáculo em celebração a Shakespeare e ao teatro. Obviamente, o centro de tudo é o protagonista e esse detalhe já privilegia Lacerda, mas não se percebe uma encenação construída para reverenciá-lo. E, no conjunto, isso faz muita diferença.

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Rainha e Príncipe Hamlet (Selma Egrei e Lacerda), mãe e filho em um jogo sensual

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