Obra de Édouard Louis vira espetáculo no Sesc sobre gênero e desigualdade
O francês se firmou como uma das vozes mais contundentes da literatura contemporânea
Celebrado por leitores brasileiros desde que seus livros começaram a circular mais amplamente por aqui, o francês Édouard Louis, 33, destaque da Flip 2024, a Festa Literária Internacional de Paraty, se firmou como uma das vozes mais contundentes da literatura contemporânea ao transformar a própria biografia em denúncia social e gesto político.
O impacto de sua obra entre nós ganha nova dimensão com a estreia, na quinta (15), no Sesc 14 Bis, de Mulher em Fuga, primeira adaptação nacional de dois de seus livros: Lutas e Metamorfoses de uma Mulher e Monique se Liberta. Com dramaturgia de Pedro Kosovski e direção de Inez Viana, o espetáculo reúne Malu Galli e Tiago Martelli — idealizador do projeto — em cena.
A montagem acompanha a dura jornada de Monique, mãe do escritor, uma mulher da classe trabalhadora que enfrenta pobreza, violência doméstica e silenciamentos estruturais, na busca por autonomia. Ao fundir as duas obras, a encenação aproxima as vozes de mãe e filho em um jogo entre afeto, conflito e memória – aspecto reforçado pela participação de Louis em voz off, na cena de uma conversa telefônica. O retrato de uma mulher batalhadora que insiste em recomeçar ecoa fortemente na realidade brasileira. A peça transforma uma história pessoal em uma importante reflexão sobre violência de gênero, desigualdade social e emancipação (80min).
14 anos. Sesc 14 Bis. Rua Doutor Plínio Barreto, 285, Bela Vista,
3016-7700.
Qui. a sáb., 20h. Dom., (18h). De 15/1 a 8/2. R$ 70,00. sescsp.org.br.
Publicado em VEJA São Paulo de 9 de janeiro de 2026, edição nº2977





