‘Dois Patrões’ traz Arlequim para o Brasil contemporâneo
Espetáculo com Neyde Veneziano e Giovani Tozi faz releitura de clássico da commedia dell'arte no Teatro Itália
Quando estreou, em 1745, Arlequim, servidor de dois patrões, de Carlo Goldoni, revolucionou a commedia dell’arte ao substituir o improviso por um texto escrito e introduzir personagens de contornos mais realistas. Quase três séculos depois, Neyde Veneziano e Giovani Tozi apresentam Dois Patrões, uma releitura que transpõe a trama para um Brasil urbano e contemporâneo.
Mantendo os arquétipos centrais, a ação se desenrola durante uma festa de noivado que nunca termina, reunindo bicheiros, advogados, herdeiros, influenciadores e oportunistas. Pantaleão (Marcelo Lazzaratto) é um contraventor que articula alianças por meio do casamento da filha (Camilla Camargo).
No centro da confusão, está Tico Sorriso (Felipe Hintze), versão atualizada do Arlequim: um trabalhador precarizado que acumula empregos e tenta servir a dois patrões ao mesmo tempo.
A trama se complica com a chegada de Beatriz (Larissa Ferrara), disfarçada do irmão supostamente morto. Com ritmo acelerado e elenco coeso e talentoso (que se completa com Gabriel Ferrara, Gabriel Santana, Jonathas Joba, Marcus Veríssimo, Mila Ribeiro e Nando Pradho), a montagem provoca risos ao aproximar o clássico das contradições e excessos da realidade brasileira (90 min). 12 anos.
Teatro Itália. Avenida Ipiranga, 344, Subsolo, República, 5468-8382 → Sex. e sáb., 20h. Dom., 18h. R$ 100,00. Até 1º/3. sympla.com.br.
Publicado em VEJA São Paulo de 23 de janeiro de 2026, edição nº2979





