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Teatro - Por Fabio Codeço

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“Bom Retiro 958 Metros”: um espetáculo guiado

No ano em que completa duas décadas, o Teatro da Vertigem transita ­– e leva o público junto – por quase um quilômetro de um bairro onde muitos circulam, mas poucos prestam atenção aos seus detalhes. O espetáculo “Bom Retiro 958 Metros”, concebido pelo diretor Antônio Araújo com base na dramaturgia do escritor Joca Reiners […]

Por Dirceu Alves Jr. 23 jul 2012, 20h16 | Atualizado em 10 set 2024, 17h03
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“Bom Retiro 958 Metros”: um espetáculo guiado Priorizar nos meus resultados Google

Laetitia Augustin-Viguier em uma das belas imagens da intervenção urbana do Teatro da Vertigem (Foto: Flavio Morbach Portella)

No ano em que completa duas décadas, o Teatro da Vertigem transita ­– e leva o público junto – por quase um quilômetro de um bairro onde muitos circulam, mas poucos prestam atenção aos seus detalhes. O espetáculo “Bom Retiro 958 Metros”, concebido pelo diretor Antônio Araújo com base na dramaturgia do escritor Joca Reiners Terron, mantém acesa a proposta do grupo: a intervenção em lugares improváveis aliada ao enfoque de questões sociais e personagens míticos. Por duas horas, os espectadores acompanham cheios de interesse os atores transformarem-se em diferentes tipos em cenas externas e internas, algumas de grande beleza plástica e outras de mera contemplação. O ponto de encontro para o início da jornada é a Oficina Cultural Oswald de Andrade, na Rua Três Rios, mas a peregrinação tem início diante do Lombroso Fashion Mall.

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Região predominantemente comercial, o Bom Retiro vira um lugar deserto assim que os estabelecimentos fecham as portas. Nesse tempo, as ruas são assombradas por fantasmas, alguns tomados pela febre do consumo e outros ansiosos por uma mudança de vida. Uma manequim com defeito de fabricação (interpretada por Sofia Boito) serve de metáfora para a inadequação ao mercado, enquanto um morador de rua (papel de Roberto Áudio, o melhor dos intérpretes), obcecado por uma pedra, representa os viciados da região. Também simbólica é uma mulher frustrada (personagem de Luciana Schwinden) por nunca encontrar a loja aberta para comprar o vestido vermelho de seus sonhos.

Apesar das situações interessantes, a dramaturgia mostra-se pouco consistente na abordagem dessas questões e no detalhamento do perfil dos personagens. A oportunidade de um desfecho impactante na sua simbologia referente à própria situação das artes cênicas é desperdiçada. Dentro do antigo Teatro Taib, o público constata que a carcaça do velho espaço cultural é mantida, mas não recebe mais nada em seu palco e vai se deteriorando aos poucos. No entanto, a direção opta por mais uma cena que nada acrescenta ao trabalho. Fica a sensação de que a exaustiva pesquisa desenvolvida pelo grupo limitou-se a uma visita guiada e, por mais esmerada que seja a produção, o espetáculo não ficaria de pé fora das ruas do Bom Retiro. Muitas vezes, o público não se apega à trama e à interpretação dos quinze atores, prestando mais atenção nas vitrines ou prédios que saltam diante dos olhos. Logo, continua desprezando os detalhes do seu objetivo inicial, a peça de teatro.

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