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Notas Etílicas - Por Saulo Yassuda

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O jornalista Saulo Yassuda cobre cultura e gastronomia. Faz críticas de bares na Vejinha há dez anos. Dá pitacos sobre vinhos, destilados e outros assuntos

Director’s Gourmet encerra as atividades

O bar frequentado pelo público gay resistia nos Jardins, onde a cena LGBT se mostra rarefeita

Por Saulo Yassuda Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 Maio 2017, 16h02 | Atualizado em 20 jan 2022, 14h27
Director’s Gourmet
O pequeno salão do Director's Gourmet: noites animadas (Divulgação/Director's Gourmet/Veja SP)
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Muitos frequentadores do Director’s Gourmet devem ter acordo melancólicos no domingo (21). E não foi necessariamente por conta da ressaca — consta que a noite do sábado (20) foi especialmente agitada no bar. A razão é mais, digamos, profunda: aquela foi a última madrugada de funcionamento da casa.

Um dos raros bares gays do Jardins — e de São Paulo, cidade mais afeita às boates GLS –, o Director’s Gourmet (ou apenas Gourmet, para os íntimos) — encerrou as atividades depois de 27 anos de existência.

“Estamos cansadas, trabalhamos na noite desde 1990”, conta a sócia Adriana Siqueira, que comanda o estabelecimento com a irmã Daniela. Segundo a empresária, não foram motivos financeiros que pesaram na decisão. “O bar estava indo bem, tinha seus altos e baixos, claro, mas não foi isso, não”, diz. “Tentamos passar o ponto, mas tá complicado, ninguém tem dinheiro. Além disso, o bar é muito atrelado à imagem de nós duas.”

Os frequentadores, boa parte deles homens gays acima dos 40 anos, conheciam bem a dupla. Papear com as donas no balcão fazia parte do programa. Adriana e Daniela, inclusive, foram madrinhas de muitos casais que se formaram ali. “No bar, já tivemos amores, desamores, encontros, desencontros, casamentos, descasamentos…”, brinca Adriana.

Bar com espelho, garrafas e luzes coloridas
Detalhe do balcão: última noite de funcionamento foi do sábado (20) para o domingo (21) (Divulgação/Director's Gourmet/Veja SP)
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O salão escurinho era decorado com pôsteres de filmes, além de uma cadeira de diretor de cinema e uma claquete penduradas no teto. Num canto do balcão, DJs tocavam hits de pop que embalavam os flertes e conversas. Canções de bandas dos anos 80, como The Cure e Smiths, davam charme à trilha.

Como o salão era apertadinho, o público era obrigado a bebericar de pé na calçada nos dias mais lotados — nada que incomodasse o pessoal.

Quando surgiu, em 1990, o bar não tinha vocação LGBT. “A noite aqui era dos mauricinhos e patricinhas”, disse a sócia Daniela Siqueira para a VEJA SÃO PAULO em reportagem publicada em 2003. “Aos poucos, os gays foram conquistando espaço e, hoje, os Jardins são deles.”

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Na época da matéria, o Jardim Paulista era um bairro repleto de lugares frequentados pelo público gay, sobretudo na região da Rua da Consolação entre as alamedas Itu e Franca, justamente a área do Gourmet. Já funcionaram por lá bares como Allegro e Hertz e baladas como Ultralounge e Massivo, todos extintos. No fim da década passada, a cena LGBT já se mostrava rarefeita por lá.

Durante esta semana, no máximo até sexta (26), o espaço onde funcionou o bar (Alameda Franca, 1552) vai abrir entre 17h e 22h para um bazar, com venda do mobiliário e de itens de decoração, entre eles um pôster do filme Volver com autógrafo do cineasta Pedro Almodóvar.

Depois de entregar o imóvel, no fim do mês, as proprietárias pretendem tirar um período sabático.

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Tem alguma dica boêmia? Comente abaixo ou mande uma mensagem (saulo.yassuda@gmail.com). Siga as novidades do blog no Instagram (@sauloy).

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