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Movida Paulistana

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Ex-secretário de Cultura de São Paulo e à frente de projetos de impacto sociocultural, como o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, a recém-aberta Formosa Hi-Fi e o saudoso Studio SP, Alê Youssef construiu uma consistente carreira na área cultural. Em Movida Paulistana, às quintas-feiras, ele vai abordar as correntes vanguardistas com seu olhar atento para o que há de mais inspirador

Intérprete da cidade

Revista continua relevante por entender vocação cultural e criativa de São Paulo

Por Alê Youssef
27 nov 2025, 12h01 • Atualizado em 27 nov 2025, 16h54
sao-paulo
 (Agliberto Lima/Veja SP)
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  • Desde sua primeira edição, VEJA SÃO PAULO sempre foi um espaço fundamental para registro e divulgação das cenas culturais paulistanas. A primeira capa, de 1985, por exemplo, foi ilustrada pelo brilhante artista plástico Ivald Granato (1949- 2016), figura central da nossa arte contemporânea. Mesmo antes de ser consagrada como suplemento dedicado à cidade, que hoje celebra 40 anos, já existia um guia encartado na revista VEJA que dava destaque às principais atrações da cultura.

    Em julho de 1983, por exemplo, estava na capa desse roteiro a atriz Elizabeth Taylor, já que o filme A Megera Domada seria exibido pela TV Manchete, e o espetáculo musical O Grande Circo Místico, com músicas de Chico Buarque e Edu Lobo, na saudosa casa de shows Palace. À vocação de guia cultural foram agregadas reportagens especiais e, imediatamente, a nova revista se tornou intérprete da cidade.

    Com a vibração de São Paulo, foi natural que suas matérias dedicassem espaço importante aos artistas e ao que acontecia nos palcos e telas de São Paulo. As lembranças das capas da Vejinha se confundem com os marcos culturais e pessoais de cada morador da cidade. Tenho certeza que nossos leitores podem lembrar de momentos importantes para eles por meio das edições expostas nas bancas de jornal.

    Eu guardo com carinho, por exemplo, a lembrança da edição que consagrou o renascimento da vida noturna na Rua Augusta, apontando para o bairro que seria chamado de Baixo Augusta. Lembro também de capas e matérias sobre o surgimento e a consolidação da nossa cena teatral criativa e ousada na Praça Roosevelt; a resistência da Mostra Internacional de Cinema; os muitos e grandiosos destaques da Bienal de São Paulo; a chegada da Virada Cultural e a explosão do grafite como linguagem simbólica da metrópole.

    Quando fui secretário de Cultura, uma entrevista para as Amarelinhas foi fundamental para a compreensão do propósito de defesa da cultura em um momento de ataque ao setor e de busca por uma cidade mais modernista do que bandeirante. Fiquei impressionado com a repercussão.

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    Nos últimos anos, a revista segue afinada com o pulso vibrante da cidade. Capas dedicadas a Criolo, Mel Lisboa, Maria Bonomi, Arnaldo Antunes, Kleber Mendonça Filho, festivais como Lollapalooza e C6 Fest reafirmam a centralidade da produção artística na vida cotidiana paulistana. Celebrar os 40 anos da Vejinha é celebrar São Paulo. Suas edições contam a história de uma metrópole que se transforma pela arte.

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