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Movida Paulistana

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Ex-secretário de Cultura de São Paulo e à frente de projetos de impacto sociocultural, como o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, a recém-aberta Formosa Hi-Fi e o saudoso Studio SP, Alê Youssef construiu uma consistente carreira na área cultural. Em Movida Paulistana, às quintas-feiras, ele vai abordar as correntes vanguardistas com seu olhar atento para o que há de mais inspirador

Centro de SP: criatividade para prosperidade

Região agora está apontando para um novo momento de clara prosperidade e prova mais uma vez impressionante capacidade de ressurgir

Por Alê Youssef
30 out 2025, 08h00 •
BOMA no centro: festival ocupa o Anhangabaú e a Praça das Artes
BOMA no centro: festival ocupa o Anhangabaú e a Praça das Artes (@FERNANDO_SIGMA/Divulgação)
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  • Eu não gosto do termo “revitalizar” para qualificar uma transformação positiva de um bairro, porque quando usado geralmente ignora a vida pré existente no território e valoriza apenas os que estão “chegando” por lá, geralmente com um tom elitista e distante da tradição local.

    Esse é o caso se aplica ao centro de São Paulo, que não está sendo revitalizado porque sempre teve muita vida e efervescência, mas agora está apontando para um novo momento de clara prosperidade.

    Pouco antes da pandemia, vivia seu melhor momento nesse século: ruas lotadas com eventos gratuitos todas as semanas: Virada Cultural, Jornada do Patrimônio, SP na Rua, Semana do Rock, Festival de Cultura Independente, Mês do Hip Hop, Mês da Consciência Negra, entre tantos outros.

    O Carnaval de Rua teve suas maiores edições e o circuito da República se consolidou como símbolo da ocupação cultural popular da cidade.

    Negócios criativos floresciam: o entorno do Copan se firmava como polo, a Ocupação 9 de julho se tornou ponto de encontro político, o Bar dos Arcos surgiu encantando, a Casa de Francisca tornou-se ícone na Sé, o Esther inaugurava os “Rooftops”, a Casa do Baixo Augusta era lugar de criatividade e ativismo, o Bar do Cofre lotava com inovação, a Balsa provava resistência e o Bar Brahma se reafirmava como clássico.

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    A pandemia interrompeu esse ciclo, mas passados alguns anos, o centro prova mais uma vez impressionante capacidade de ressurgir. Hoje, já dá claros sinais de força, ao atrair moradores, empreendedores, e uma nova onda de projetos criativos que transformam imóveis abandonados em cafés, livrarias, restaurantes, bares, ateliês de moda e design, galerias e lojinhas de todos os tipos. É uma reocupação viva, que devolve à região seu caráter de laboratório cultural.

    Em que pese a realidade social que não é só do centro, mas do conjunto da cidade e de todo país, a verdade é que todos os indícios apontam que existe agora uma oportunidade histórica de recolocar o centro no coração do desenvolvimento econômico e social de São Paulo — movido pela economia criativa que nasce da própria cidade.

    Isso acontece quando a transformação vem de baixo para cima, com a força da sociedade que com capilaridade e verdade que ocupa e transforma os espaços da cidade.

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    Muito mais do que qualquer obra faraônica, é esse movimento que faz com que as pessoas passem a viver e flanar novamente pelo coração da nossa São Paulo

    Cabe ao poder público não atrapalhar com restrições conservadoras e apoiar de todas as formas possíveis esse movimento.

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