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Uma viagem no tempo às décadas passadas por meio de suas histórias, costumes e curiosidades.

Luizinho, o guarda de trânsito que se tornou ídolo na cidade

Relembre quem era o policial com jeito irreverente que marcou uma geração

Por Roosevelt Garcia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jun 2018, 16h43
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 (Reprodução/Veja SP)
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Luizinho, o guarda de trânsito que se tornou ídolo na cidade Priorizar nos meus resultados Google

A lendária esquina da Rua Xavier de Toledo com a Praça Ramos de Azevedo traz alguns dos ícones mais conhecidos da capital paulista. De um lado, o Teatro Municipal, símbolo da cultura e cartão-postal da cidade. Do outro lado da rua, o conhecidíssimo prédio do antigo Mappin – não importa qual estabelecimento se fixe ali, aquele será sempre o prédio do Mappin. Na outra esquina, o prédio da Light, hoje Shopping Light, um centro de compras bem no coração da cidade que respeita a arquitetura original da construção. Mas aquele trecho da cidade nos remete a outro grande ícone que se estabeleceu ali na década de 70. O policial militar Luiz Gonzaga Leite, conhecido por todos como Guarda Luizinho, que trabalhava na faixa de pedestres da Rua Xavier de Toledo, entre o Mappin e a Light.

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O lendário Luizinho em ação no centro da cidade (Reprodução/Veja SP)

Luizinho era uma espécie de herói local. Seu trabalho era marcado por performances que as pessoas paravam pra ficar assistindo. Se um motorista parasse sobre a faixa de pedestres, ele não pensava duas vezes: obrigava o motorista a abrir as portas e fazia os pedestres atravessarem por dentro do veículo. Com gestos dignos de uma apresentação de dança, ele controlava o trânsito no local e orientava pedestres a atravessar corretamente. Não raro, pegava as pessoas pela mão para que atravessassem em segurança, ou ficava de joelhos no meio da rua, impedindo que elas atravessassem em hora errada.

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O policial dava bronca em pedestres que atravessavam fora da faixa (Reprodução/Veja SP)

Ele nunca aplicou uma multa. Acreditava que a orientação sempre era melhor do que a punição. E, como todo policial, andava armado, mas seu revólver não tinha munição. Todos que passavam por ali, e até os comerciantes locais, ficavam horas assistindo ao “show” que o Luizinho proporcionava todos os dias. Quando o comando da Polícia Militar fez um rodízio de contingente e mandou o querido policial pra outro lugar, um abaixo-assinado de mais de 65 000 assinaturas foi feito para que ele voltasse à Xavier de Toledo. Quando ele finalmente voltou, alguns meses depois, foi recebido com festa.

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“Performance” na Xavier de Toledo: o showman da década de 70 (Reprodução/Veja SP)

Pessoa simples, o Guarda Luizinho adorava seu trabalho, e se orgulha de dizer jamais houve um atropelamento no local onde trabalhava enquanto ele estava por lá. Hoje, aposentado e com quase 80 anos de idade, ele ainda é reconhecido por algumas pessoas que tiveram o privilégio de vê-lo trabalhando. Entre 1971 e 1982, a rua Xavier de Toledo foi um dos pontos mais seguros da cidade para os pedestres. E um dos mais divertidos também.

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Luizinho nos dias atuais posando para foto no local que o tornou famoso (Acervo pessoal/Veja SP)
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