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Filmes e Séries - Por Mattheus Goto

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‘Sorry, Baby’: uma preciosa celebração à sobrevivência em tempos difíceis

Em cartaz nos cinemas, filme de Eva Victor é um dos melhores do ano, com tom dramático e cômico que lembra 'Fleabag'

Por Mattheus Goto
18 dez 2025, 14h00 • Atualizado em 19 dez 2025, 19h15
Eva Victor com gatinho em 'Sorry, Baby'
Eva Victor com gatinho em 'Sorry, Baby' (Divulgação/Divulgação)
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  • A vida não avisa nem nos prepara para quando coisas ruins acontecem. Por vezes, a opção que sobra é sobreviver e seguir em frente. Sorry, Baby capta a sensação de um trauma e, ao mesmo tempo, celebra a nossa capacidade de continuar e perseverar a cada dia.

    Eva Victor faz um trabalho esplêndido em sua estreia diretorial e demonstra um incrível controle de tom, capaz de navegar pelo desespero e quebrar o gelo com uma comédia leve. Ela também protagoniza o longa no papel de Agnes, uma professora de literatura de uma faculdade no estado de Nova Inglaterra (EUA), que vive isolada, com seu gato, na mesma casa há anos.

    Quando a amiga Lydie (a maravilhosa Naomi Ackie), que se mudou para Nova York, faz uma visita e conta que está grávida, um turbilhão de memórias e sentimentos do passado vêm à tona. As duas reencontram amigos da época da faculdade em um jantar que piora tudo.

    Agnes viveu um terrível evento traumático durante a pós-graduação na instituição onde agora leciona. Ela era uma estudante exemplar, atenta e inteligente, aparentemente querida pelo orientador da tese e invejada pela colega Natasha (Kelly McCormack).

    “A coisa ruim”, como ela se refere, muda completamente os hábitos, sonhos, pensamentos e o modo de se portar e olhar para o mundo. A aparência transparece o estado de espírito, enquanto as pessoas à volta, exceto a melhor amiga, parecem não se importar ou não saber como reagir.

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    São muitas nuances: os gatilhos que ficam, a má compreensão dos outros, o valor próprio, o estresse pós-traumático, os impactos na mente da vítima, a urgência de ressignificar a intimidade… Ela adota um gatinho e reflete sobre como pode ser bom e acolhedor o toque. Todas essas reflexões em uma história simples, mas bem contada, com personagens excelentes.

    Agnes não perde o senso de humor — que lembra sutilmente a série Fleabag (2016), pela comédia em momentos devastadores, e tem levado Eva a ser considerada na internet como Phoebe Waller-Bridge americana.

    Afinal, a vida continua.

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    NOTA: ★★★★★

    Publicado em VEJA São Paulo de 19 de dezembro de 2025, edição nº 2975

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