‘Sonhos de Trem’ cria engrenagem onírica com fotografia de tirar o fôlego
Trabalho do diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso, que venceu nesta semana o Critics Choice Awards, é destaque no filme
A força de Sonhos de Trem, de Clint Bentley, reside em grande parte na fotografia de tirar o fôlego. A mente genial por trás desses enquadramentos é a do brasileiro Adolpho Veloso, que venceu nesta semana o Critics Choice Awards pelo trabalho.
É uma peça fundamental para proporcionar imersão na natureza e na história de Robert Grainier (Joel Edgerton), madeireiro que trabalha na construção de ferrovias nos Estados Unidos em um momento de grande expansão, no século XX.
Por causa do trabalho, ele passa longos períodos afastado da esposa Gladys (Felicity Jones) e da filha pequena. Quando está junto delas, em casa, cai no sono ao ouvir o som da voz da mulher e sonha com máquinas ferroviárias a todo vapor. Uma tragédia o faz refletir sobre tudo.
As cenas de corte de árvores, com a câmera no tronco derrubado, são uma das coisas mais visualmente impressionantes do último ano. As ótimas escolhas de enquadramento transmitem a imponência da floresta em choque com a avassaladora criação mecânica sobre trilhos do ser humano.
A premissa do filme só se sustenta graças à excelente fotografia e à montagem afiada, com os sonhos que dão ritmo para o longa e compensam pelo final anticlimático.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 9 de janeiro de 2025, edição nº 2977





