Por que ‘Sirât’ é um dos filmes mais controversos da temporada
Representante da Espanha no Oscar fala sobre guerra de maneira brutal e diretor teve fala polêmica sobre brasileiros
Representante da Espanha no Oscar 2026, Sirât é um dos filmes mais controversos da temporada. A obra divide opiniões pela perspectiva brutal e impiedosa sobre o tema da guerra, que por si só já gera discussão.
Para complementar, o diretor Oliver Laxe “comprou briga” quando disse, no talk show La Revuelta, que brasileiros são “ultranacionalistas” e “votariam até em um sapato” para defender o país no Oscar. Com a repercussão negativa, ele se desculpou em entrevista ao jornal espanhol Diário ABC: “Sinto muito se ofendi pessoas. É um programa radicalmente irônico, não nos levamos a sério. Acho que o contexto não foi entendido”.
Campanha à parte, o longa é um estouro. A ambientação impecável traz o clima árido e apocalíptico para a tela do primeiro instante ao final.
Em uma rave alucinante no meio das montanhas do deserto do Marrocos, pai e filho, Luis (Sergi López) e Esteban (Bruno Núñez), procuram a filha e irmã desaparecida. Entre jovens dançando anestesiados, conhecem um grupo de cinco amigos que falam de uma outra festa por perto, onde talvez ela esteja.
Saem juntos na busca, mas são interrompidos no meio do caminho por tragédias. Cada morte acontece de supetão, de modos chocantes e devastadores.
A abordagem pode parecer uma atitude cruel e masoquista do diretor com o público, mas expressa a intenção implícita de questionar o estado de guerra sem fim, em que inocentes viram vítimas e até os motivos se perdem.
Sem precisar dizer muito, o ambiente ao redor emula uma Terceira Guerra Mundial, que dificulta o percurso. O desenho de som é fenomenal, com camadas e texturas fundamentais para a imersão na história — não por acaso, recebeu indicação ao Oscar.
NOTA: ★★★★☆
Publicado em VEJA São Paulo de 27 de fevereiro de 2026, edição nº 2984





