Oscar 2026 segue cartilha previsível, mas faz feio ao cortar discursos
Premiação evitou política e vencedores já eram previstos pela mídia
O Oscar 2026 aconteceu no domingo (15) e consagrou Uma Batalha Após a Outra como o grande vencedor da noite, com seis prêmios. Pecadores, de Ryan Coogler, que bateu o recorde de indicações, somando 16 ao todo, ficou em segundo lugar, com quatro estatuetas.
O Brasil não levou nenhum título para casa. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, estava indicado em quatro categorias e Adolpho Veloso, pelo trabalho de fotografia em Sonhos de Trem.
Mesmo sem vitórias, a sensação é a de missão cumprida pela grande quantidade de brasileiros em Los Angeles para a cerimônia, circulando e ocupando os espaços, para fazer a nossa produção ser vista em todos os cantos do mundo. Pelo menos vinte representantes brasileiros, contando indicados e convidados, entraram no Dolby Theatre.
Para completar, Wagner Moura subiu ao palco do Oscar 2026 para apresentar a nova categoria da premiação, de direção de elenco, e falou sobre Gabriel Domingues, de O Agente Secreto. Antes mesmo de comentar sobre o trabalho do colega, ele foi ovacionado pela plateia. Pelo menos, estivemos no palco.
Vitórias previsíveis
A maioria das vitórias foi previsível. A lista de vencedores é praticamente a mesma que a imprensa — incluindo da Vejinha — já apostava. Por um lado, não “desagrada” e já deixa público preparado, mas, por outro, não surpreende em nada. Todo mundo já sabe o que vai acontecer e é apenas o fim de longas campanhas cinematográficas.
Uma das poucas surpresas foi a derrota de A Vizinha Perfeita para Mr. Nobody Against Putin na categoria de documentário. O discurso dos documentaristas vencedores foi, junto da categoria que Javier Bardem apresentou, um dos poucos momentos políticos de toda a premiação, em um momento tão crítico na história dos Estados Unidos.
Cortes deselegantes
O que chamou atenção negativamente foi a atitude da premiação de cortar discursos. Não só foi deselegante, como ficou feio. Foram diversos casos, mas um dos mais gritantes foi na categoria de canção original. Após a cantora Ejae agradecer o prêmio por Golden (Guerreiras do K-Pop), a organização cortou totalmente o microfone dos outros compositores que venceram com a vocalista e colocaram uma trilha sonora para dispersar a fala.
Apresentação sem graça
Outro problema foi a apresentação de Conan O’Brien. A comédia dele não conquistava risadas da plateia (presencial ou de casa) e soou forçada em vários momentos. Logo no começo da cerimônia, houve uma tentativa pretensiosa de tentar emplacar um meme com Leonardo DiCaprio, que não funcionou. A máxima se estendeu pelo resto da noite.
O comediante não tem muito jogo de cintura para lidar com imprevistos, nem carisma para dialogar com diferentes públicos, necessário em uma noite de Oscar. Ele apela para polêmicas, como o escândalo de Jeffrey Epstein, para parecer ousado, mas na realidade só cutuca sem classe nem propósito.
Timothée na mira
Um tema norteou a noite: a afirmação polêmica de Timothée Chalamet sobre pessoas “não se importarem” com ópera e balé. Em diferentes momentos, o apresentador e vencedores rebatiam a frase, com toda a razão. Chegou a ficar repetitivo e até batido, mas a conclusão é dar menos moral para Timothée.
Terror em alta
O ponto positivo foi o reconhecimento ao terror, pelo qual a Academia historicamente não se interessa muito. Os prêmios a Pecadores e especialmente a Amy Madigan, por A Hora do Mal, ajudam a dar força ao gênero e quebrar o ciclo de desinteresse. No caso de Madigan, foi a primeira performance de uma vilã de terror a ganhar desde Ruth Gordon em O Bebê de Rosemary (1968). Que venham mais!





