‘O Velho Fusca’ tem premissa à la Sessão da Tarde com roteiro esquisito
Comédia nacional é estrelada por Caio Manhente, Tonico Pereira, Cleo Pires e Danton Mello
O filme nacional O Velho Fusca reúne um elenco interessante numa premissa típica de Sessão da Tarde. Caio Manhente interpreta Junior, um jovem adulto meio deslocado, que trabalha como lavador de pratos em um quiosque à beira-mar no Rio de Janeiro. Ele tenta conquistar uma garota que trabalha no mesmo estabelecimento, mas sente dificuldade por não ser descolado. O chefe Jeff (Christian Malheiros) não facilita sua vida.
Cleo Pires e Danton Mello dão vida aos pais do protagonista, que tentam lhe apoiar. No entanto, a família é traumatizada por atitudes do avô (Tonico Pereira), amargurado e meio doido da cabeça. Ele vive isolado e, quando aparece no aniversário do garoto, faz um estrago xingando e falando mal de basicamente todo mundo.
Porém, Junior vê uma oportunidade de mudar de vida e restaurar o fusca antigo na casa do avô. À medida que o carro retoma vida, gatilhos do passado vêm à tona e a reforma acontece na união familiar.
As boas intenções e atuações são prejudicadas por um roteiro com expressões esquisitas, como “A gente é pobre e virgem”, “Seu mocorongo” e “Nunca subestime o poder da homofobia”.
A direção de elenco também gera estranhamento, por Cleo Pires ter uma aparência jovem e aqui ser mãe de um ator de 23 anos — eles poderiam facilmente ser irmãos.
Pelo menos a proposta do diretor Emiliano Ruschel, de tentar um romance leve, quase com uma pegada de coming-of-age leve e descontraído, fica evidente.
NOTA: ★★☆☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 20 de março de 2026, edição nº 2987





