‘O Testamento de Ann Lee’: Amanda Seyfried é fonte de talento inesgotável
Filme musical de Mona Fastvold conta história de líder de seita utópica que pregava a igualdade de gênero e social no século 18
Amanda Seyfried transborda talento em O Testamento de Ann Lee, em papel que foi cotado para o Oscar, porém esnobado.
O filme musical de Mona Fastvold baseia-se na história real de Ann Lee (Seyfried), líder e fundadora do movimento “Shaker”, uma seita devocional utópica que pregava a igualdade de gênero e social no século 18.
Após sofrer com mortes naturais de quatro filhos, a protagonista segue o caminho da fé e é vista pelos seguidores como o retorno de Cristo no corpo de uma mulher. Como princípio fundamental, recorre ao celibato para se aproximar de Deus.
Por meio da dança e do canto, eles reúnem-se em comunhão e tentam espalhar a palavra, mas são repreendidos pelas morais e costumes da época. Quando Ann recebe uma mensagem divina para continuar o trabalho na América, saem de Manchester, Inglaterra, em uma embarcação, que consegue chegar ao destino em meio a mares revoltos. Lá, ela enfrenta dilemas quando os fiéis cometem heresias ou perdem a fé.
Não dá para não associar o culto ao de Midsommar – O Mal Não Espera a Noite (2019), com pessoas brancas em torno de uma mulher, mesmo que em linhas muito diferentes — aqui bem intencionado e realmente revolucionário contra o sistema machista.
Mesmo quando vacila no tom, a direção capta, com enquadramentos abertos, a amplitude de números musicais em grupo e Amanda constrói a personagem principal com delicadeza e entrega total. Sua voz transmite sensações e sentimentos necessários para a personagem.
O retrato é um lembrete da luta constante das mulheres, desde o início dos tempos até hoje, quando ainda há tantos casos terríveis de feminicídio.
NOTA: ★★★☆☆
Publicado em VEJA São Paulo de 13 de março de 2026, edição nº 2986





