‘O Morro dos Ventos Uivantes’ explode em sensualidade — e controvérsias
Margot Robbie e Jacob Elordi criam química feroz em adaptação de obra de Emily Brontë com uma série de mudanças, do foco no tesão à direção de elenco
A nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, dirigida por Emerald Fennell, explode de sensualidade e já é um dos filmes mais polêmicos do ano, diante das mudanças feitas pela cineasta. Após inúmeras versões cinematográficas, incluindo a primeira, lançada em 1939, e a estrelada por Ralph Fiennes e Juliette Binoche, de 1992, a obra clássica de Emily Brontë toma um rumo mais moderno, principalmente pelo tom das atuações, trilha sonora e direção de arte, mas ainda inspirado pelos filmes anteriores.
As estrelas Margot Robbie e Jacob Elordi dão vida a Catherine e Heathcliff, amigos de infância que cultivam uma paixão mútua, mas divergem de rumos na vida adulta. Acompanhamos os dois desde criança (aqui interpretados pelos atores mirins Charlotte Mellington e Owen Cooper), quando ela acolhe o menino recém-adotado pela família, de origem humilde.
Na adolescência, as ambições falam mais alto. Com o incentivo do pai, Catherine sai em busca de se casar com Edgar Linton (Shazad Latif), que comprou a mansão vizinha da família, para tentar mudar de vida. Dá certo e o endinheirado se apaixona por ela, mas quando é pedida em casamento ela se vê em um grande impasse entre vaidade e coração. Vale mais a pena ter uma vida de regalias ou viver um amor verdadeiro?
Um desencontro faz com que cada um siga o seu caminho e se inicia um jogo de vingança. Eles tentam se fazer ciúmes com outros parceiros e negam sentimentos, até que a situação começa a escalar, quando Catherine fica grávida de Edgar Linton. Em contrapartida, Heathcliff se casa com Isabella (Alison Oliver), irmã de Edgar — a personagem mais cativante e divertida.
A direção de elenco foi crucial, para o bem e para o mal: deu um tom mais adulto com a escalação de atores na casa dos 30 anos, mas optou por um ator branco para o papel de Heathcliff, que era negro no livro — característica que tornaria esta versão ainda mais atual. De todo modo, a dupla principal se sai muito bem, criando uma química feroz.
Aliás, o foco no sexo é outra mudança que gerou discussão, ao roubar o protagonismo da conexão espiritual que o livro evoca e dar atenção aos desejos carnais. Desde o anúncio da produção, a diretora deixou claro que é uma interpretação dela da história, e não uma adaptação ao pé da letra.
A atração física também pode parecer sobre-humana. É o que o filme evoca e, por meio da montagem, o simbolismo brilha nos pequenos detalhes.
NOTA: ★★★★☆
Publicado em VEJA São Paulo de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982.





